Por que ir
O Uruguai é pequeno, organizado e fácil de percorrer. Em uma mesma viagem dá para conhecer a capital, passar uns dias de praia em Punta del Este e ainda visitar Colônia do Sacramento, uma cidadezinha colonial tombada pela Unesco. Tudo por estrada boa e sem grandes distâncias.
Montevidéu tem ritmo calmo, centro histórico bonito, uma orla enorme à beira do Rio da Prata e mercados onde a carne assa na brasa o dia todo. Punta del Este é o oposto: balneário famoso, com praias, cassino, restaurantes concorridos e vida noturna agitada no verão.
É uma boa escolha para um feriado prolongado, para casais que gostam de comer e beber bem, para famílias e para quem faz a primeira viagem internacional. Brasileiro entra só com o RG e se vira bem com o portunhol.
O que fazer
Montevidéu: Plaza Independencia e Ciudad Vieja
A praça separa o centro novo do bairro histórico e tem dois símbolos da cidade: o Palacio Salvo, que já foi o prédio mais alto da América Latina, e o monumento a José Artigas, herói da independência. Atravessando a Puerta de la Ciudadela, resto da antiga muralha, começa a Peatonal Sarandí, rua de pedestres com livrarias, galerias e cafés.
Montevidéu: Teatro Solís
Inaugurado em 1856, lembra os teatros italianos, com poltronas de veludo vermelho e um enorme lustre de cristal. Dá para assistir a um espetáculo ou fazer a visita guiada pelo prédio.
Montevidéu: Mercado del Puerto
Galpão antigo perto do porto que reúne restaurantes de carne na brasa, bares e lojinhas de artesanato. Sentar no balcão e ver a parrilla funcionando é parte do programa. Para brindar, peça o medio y medio, mistura de vinho branco seco com espumante doce.
Montevidéu: Rambla, Pocitos e Parque Rodó
A Rambla é a avenida que acompanha o Rio da Prata por cerca de 20 km, passando pelos bairros de Pocitos e Punta Carretas. É onde os uruguaios caminham, pedalam e veem o pôr do sol com a cuia de mate na mão. Na ponta da praia de Pocitos fica o letreiro da cidade, e o Parque Rodó tem lago, pedalinho e o Museu Nacional de Artes Visuais.
Montevidéu: Estádio Centenário e museus
O estádio recebeu a primeira Copa do Mundo, em 1930, e abriga o Museu do Futebol, com taças, camisas e chuteiras históricas. Quem gosta de arte pode visitar o Museu Torres García e o Museu Gurvich, na Ciudad Vieja. O Museu do Carnaval explica a festa e o candombe.
Montevidéu: feira de Tristán Narvaja e mercados
Aos domingos, a feira de rua de Tristán Narvaja ocupa vários quarteirões com antiguidades, livros, frutas e roupas de brechó. O Mercado Agrícola, em um prédio de ferro do começo do século 20, vende produtos típicos e tem praça de alimentação, e o Mercado Ferrando é um galpão gastronômico mais moderninho.
Punta del Este: Península, porto e La Mano
O centro de Punta fica em uma península entre duas praias: a Mansa, de água calma, e a Brava, de mar aberto. Na Brava está La Mano, a escultura dos dedos saindo da areia, foto obrigatória. No porto, entre iates e veleiros, é comum ver lobos-marinhos esperando os restos dos pescadores.
Punta del Este: Casapueblo
Em Punta Ballena, a uns 15 km da península, a construção branca de formas arredondadas foi ateliê e casa de veraneio do artista Carlos Páez Vilaró. Hoje tem museu com obras dele. O melhor horário é o fim da tarde, quando o pôr do sol é acompanhado por um poema gravado na voz do próprio artista.
Punta del Este: La Barra e Manantiales
Depois da ponte ondulada Leonel Vieira, as antigas vilas de pescadores viraram o trecho mais descolado do litoral, com as praias Bikini e Montoya, lojas, restaurantes e a noite jovem do verão. Ali perto ficam o Museu do Mar e o MACA, museu de arte contemporânea inaugurado em 2022.
Punta del Este: José Ignacio
A pouco mais de 30 km da península, é um vilarejo sofisticado e discreto, com um farol, praia bonita, pousadas de charme e restaurantes pé na areia. O programa clássico é almoçar sem pressa e tomar um clericot, drinque de vinho branco com frutas.
Colônia do Sacramento
A cidade mais antiga do Uruguai é Patrimônio da Humanidade. O centro histórico é pequeno e todo feito a pé: ruas de pedra, casario colonial colorido, a igreja matriz, o farol, ateliês e restaurantes com mesas na calçada. Fica de frente para Buenos Aires, do outro lado do Rio da Prata.
Passeios e bate-voltas
Vinícolas perto de Montevidéu
A uva símbolo do país é a tannat, mas há bons brancos também. Vinícolas como Bouza, H. Stagnari, Juanicó e Pizzorno ficam a menos de 40 km do centro e recebem visitantes com tour pela produção e degustação. Algumas servem almoço.
Bate-volta de Montevidéu a Punta del Este
Para quem não vai se hospedar no balneário, um dia inteiro permite ver a península, a Playa Brava com La Mano, os bairros de mansões e a Casapueblo. São cerca de 130 km de estrada em cada sentido.
Bate-volta a Colônia do Sacramento
Sai de Montevidéu pela manhã e volta à noite. Dá tempo de percorrer o bairro histórico, subir no farol e almoçar com calma. Quem puder dormir uma noite pega a cidade vazia e iluminada por lampiões.
Isla de Lobos (saindo de Punta del Este)
Catamarãs partem do porto para observar uma das maiores colônias de lobos e leões-marinhos da região, em uma ilha marcada por um farol alto. É reserva ambiental, então a observação é feita do barco, sem desembarque.
Bodega Garzón
A vinícola mais badalada do Uruguai fica no interior, a uns 40 km de José Ignacio. A sede moderna é cercada de vinhedos, oliveiras e lagoas. A visita inclui degustação e pode terminar com almoço no restaurante assinado pelo chef argentino Francis Mallmann. Outra opção mais perto de Punta é a Viña Edén.
Piriápolis
Balneário a 40 km de Punta del Este, com praias, morros e clima de cidade pequena. Do alto do Cerro San Antonio se vê a costa inteira. O passeio de meio dia inclui o Castelo de Piria, antiga casa do fundador da cidade.
Fazenda Lapataia
Programa para crianças a cerca de 20 km da península: contato com animais, ordenha, passeio a cavalo e doce de leite feito na hora, servido com panquecas e waffles.
Litoral de Rocha: La Pedrera, Cabo Polonio e Punta del Diablo
Para quem tem mais dias e carro, o litoral depois de José Ignacio guarda vilarejos rústicos, dunas e lagoas. La Pedrera agrada famílias e surfistas, Cabo Polonio fica dentro de um parque nacional, com farol e lobos-marinhos, e Punta del Diablo é uma antiga vila de pescadores de clima alternativo.
Roteiro sugerido
No primeiro dia, caminhe pela Plaza Independencia, Teatro Solís e Ciudad Vieja e almoce no Mercado del Puerto. No segundo, percorra a Rambla até Pocitos, visite o Estádio Centenário e jante em Punta Carretas. No terceiro, visite uma vinícola pela manhã e termine com um jantar com show de tango e candombe.
Reserve o dia para o bate-volta a Colônia. Ande sem pressa pelo bairro histórico, suba no farol e almoce em uma mesa na calçada.
Siga para Punta e comece pela península, o porto e La Mano, com fim de tarde na Casapueblo. No dia seguinte, vá a La Barra e José Ignacio, com almoço na praia. No terceiro dia, escolha entre a Bodega Garzón, a Isla de Lobos ou um dia de praia na Mansa.
Retorno a Montevidéu para o voo. O trajeto de Punta até o aeroporto de Carrasco leva em torno de uma hora e meia de carro.
Onde comer e o que provar
Asado na parrilla
O churrasco uruguaio é feito em grelha inclinada, na brasa de lenha. Os cortes mais pedidos são o bife de chorizo (contrafilé) e o asado de tira (costela), mas a grelha também traz miúdos. O Mercado del Puerto, em Montevidéu, é o endereço clássico, com o El Palenque entre os mais procurados.
Chivito
O lanche nacional leva filé na chapa, presunto, queijo, ovo, bacon e salada, no pão ou no prato, com fritas. É uma refeição completa. O Bar Facal, no centro de Montevidéu, aberto desde o século 19, é um bom lugar para provar.
Doce de leite, alfajor e pancho
O doce de leite aparece em panquecas, tortas, sorvetes e churros, e o alfajor é a lembrancinha certa. O pancho é o cachorro-quente local, simples, só com pão, salsicha e mostarda.
Punta Carretas (Montevidéu)
É o bairro gastronômico da capital. O Francis tem cardápio amplo, de parrilla a frutos do mar, e pede reserva no jantar. O La Perdiz e a churrascaria Garcia ficam na mesma região.
Jantar com tango e candombe (Montevidéu)
O El Milongón apresenta um show grande com tango, milonga e candombe. O Primuseum, em um casarão antigo da Ciudad Vieja, faz jantares mais intimistas com tango ao vivo. Para um bar histórico com música, o Fun Fun serve a uvita, bebida da casa.
Porto de Punta del Este
Na Rambla em volta do porto, restaurantes como Lo de Tere, Virazón e Guappa servem peixes, frutos do mar e carnes com vista para os barcos e para o pôr do sol.
La Huella (José Ignacio)
Restaurante pé na areia que virou instituição do litoral uruguaio, com peixes, carnes na brasa e jarras de clericot. Na temporada, só com reserva.
Onde ficar
Montevidéu: Centro e Ciudad Vieja
Para quem quer fazer os pontos históricos a pé e ficar perto da Avenida 18 de Julio. É a região com mais opções econômicas. À noite o movimento cai.
Montevidéu: Pocitos e Punta Carretas
Bairros residenciais à beira da Rambla, com restaurantes, shopping e praia de rio. São a escolha mais agradável para casais e famílias.
Montevidéu: Carrasco
O bairro mais nobre da cidade, arborizado e perto do aeroporto. Fica longe do centro histórico, então combina com quem busca sossego e hotelaria de alto padrão.
Punta del Este: Península e Playa Mansa
Na península você tem porto, comércio e restaurantes a pé, com as duas praias por perto. A orla da Mansa concentra os grandes hotéis com cassino e estrutura de lazer.
Punta del Este: La Barra e José Ignacio
Para quem prefere praia mais charmosa e clima de vilarejo. La Barra é jovem e animada no verão. José Ignacio é exclusivo, tranquilo e mais caro. Nos dois casos é importante ter carro.
A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.
Bom saber
Documentos
Brasileiro entra com RG original em bom estado ou passaporte válido. A CNH não é aceita. Não precisa de visto para turismo. Menores viajando sem um dos pais precisam de autorização.
Moeda
Peso uruguaio. Nas cidades turísticas, dólar e real costumam ser aceitos, mas o troco e a cotação nem sempre compensam. Dá para trocar dinheiro em casas de câmbio, sacar em caixas eletrônicos ou pagar com cartão internacional.
Idioma
Espanhol. Brasileiros se comunicam com facilidade sabendo algumas palavras.
Fuso
O mesmo horário de Brasília, o ano todo.
Tomada e voltagem
220 V. Os padrões de tomada variam de um lugar para outro, então leve um adaptador universal.
Seguro-viagem
Não é obrigatório, mas é recomendado para qualquer viagem internacional.
Dicas de quem entende
- A carteira de motorista não serve como documento para entrar no Uruguai. Leve o RG original em bom estado ou o passaporte.
- Punta del Este muda completamente fora do verão. Entre março e novembro, muitos restaurantes, lojas e clubes de praia fecham. Se a ideia é agito, vá entre o Natal e o Carnaval.
- Alugar carro vale a pena, principalmente em Punta, onde as atrações são espalhadas e há poucos ônibus. As estradas são boas e bem sinalizadas.
- Em Montevidéu dá para fazer muita coisa a pé, de táxi ou de carro de aplicativo. A cidade é plana e tem ciclovias.
- A gorjeta é parte importante da renda de garçons e funcionários. O costume é deixar em torno de 10%, e alguns lugares já incluem na conta, então confira antes de pagar.
- Os uruguaios jantam tarde, e as baladas de Punta só enchem de madrugada.
- O mar do Uruguai é frio mesmo no verão, e em Montevidéu a praia é de rio. Vá pelo conjunto, não esperando água morna.
- Para compras típicas, procure peças de lã e couro, ponchos e cuias de mate no Mercado de los Artesanos, em Montevidéu, e na feira de artesãos da Avenida Gorlero, em Punta.
- Montevidéu é uma cidade de livrarias. A Más Puro Verso, na Peatonal Sarandí, ocupa um prédio art nouveau e vale a visita mesmo para quem não lê em espanhol.