Por que ir
Lisboa é a porta de entrada mais fácil para a Europa. A língua é a mesma, a comida tem sabores conhecidos e boa parte da história contada nos monumentos é também a história do Brasil. Isso tira o peso da primeira viagem internacional e deixa mais tempo para aproveitar.
A cidade se espalha por colinas à beira do rio Tejo e se conhece melhor bairro a bairro. Na Baixa e no Chiado estão as praças, os cafés e o comércio. Alfama guarda as ruelas e o fado. Belém conta a era das navegações. O Parque das Nações mostra o lado moderno.
Combina com casais, famílias, grupos de amigos e viajantes mais velhos, e serve de base para bate-voltas a Sintra, Cascais, Fátima, Óbidos e Évora.
O que fazer
Praça do Comércio e Rua Augusta
A grande praça aberta para o Tejo, também chamada de Terreiro do Paço, é a sala de visitas da cidade, cercada de arcadas com cafés, restaurantes e pequenos museus. Dali sai a Rua Augusta, calçadão de pedestres cheio de lojas e mesas na rua. O arco na entrada tem um mirante no topo, com vista para o rio, o castelo e a Sé.
Elevador de Santa Justa e Convento do Carmo
O elevador de ferro inaugurado em 1902, com cabines de madeira, liga a Baixa à parte alta. Lá em cima, além do mirante, estão as ruínas de uma igreja do século 14 que perdeu o teto no terremoto de 1755. Os arcos a céu aberto são um dos cenários mais bonitos de Lisboa e abrigam um museu arqueológico.
Chiado
Bairro de casarões, teatros, butiques e cafés históricos. Na Rua Garrett ficam a livraria Bertrand, aberta em 1732 e reconhecida como a mais antiga do mundo em funcionamento, e o café A Brasileira, com a estátua de Fernando Pessoa sentado à mesa. Perto dali, o Museu do Chiado reúne arte portuguesa contemporânea.
Bairro Alto, Cais do Sodré e os miradouros
De dia, a região vale pelos mirantes: o de São Pedro de Alcântara olha para o castelo, e o de Santa Catarina, para o Tejo. À noite, o Bairro Alto enche de gente pulando de bar em bar. No Cais do Sodré, a rua com o asfalto pintado de rosa concentra bares e casas noturnas.
Alfama e Castelo de São Jorge
O bairro mais antigo é um emaranhado de becos, escadinhas, azulejos e roupas no varal. No alto da colina, o castelo ocupa um lugar habitado desde os romanos, que depois foi cidadela moura. As muralhas têm uma das melhores vistas da cidade, e um pequeno museu mostra peças encontradas nas escavações.
Sé, Museu do Fado e Casa dos Bicos
A catedral começou a ser construída em 1147 e guarda, no claustro, escavações do período islâmico. Descendo em direção ao rio, o Museu do Fado conta a história do gênero que nasceu ali, com audioguia para ouvir as gravações. A Casa dos Bicos, palacete do século 16, é sede da fundação dedicada a José Saramago.
Bonde 28
Os elétricos amarelos fazem parte do transporte público, e a linha 28 virou passeio. Sai da Praça Martim Moniz e sobe e desce ladeiras por Alfama, Chiado e outros bairros históricos, sacolejando por ruas estreitas. Vá cedo para conseguir lugar sentado.
Belém: Torre e Padrão dos Descobrimentos
À beira do Tejo, a torre erguida em 1514 como fortaleza é Patrimônio da Humanidade e o cartão-postal mais conhecido de Lisboa. A poucos passos, o Padrão dos Descobrimentos lembra uma caravela de pedra de mais de 50 metros e tem mirante no topo. Foi dessa margem que partiram as naus rumo ao Novo Mundo.
Mosteiro dos Jerónimos
Obra-prima do estilo manuelino, com fachada rendilhada e um claustro que impressiona. Guarda os túmulos de Vasco da Gama, Luís de Camões e Fernando Pessoa. Ao lado funciona a confeitaria dona da receita original do pastel de Belém.
Museus de Belém e LX Factory
Belém concentra museus para todos os gostos: o dos Coches, com carruagens da nobreza desde o século 16, o MAAT, de arte e arquitetura em um prédio arrojado à beira-rio, o de Arqueologia e o Palácio da Ajuda, antiga residência real. No caminho de volta, em Alcântara, a LX Factory ocupa uma antiga área industrial com lojas de design, livraria, cafés e feira aos domingos.
Parque das Nações
O lado moderno de Lisboa tem o Oceanário, um dos maiores aquários da Europa, um teleférico que corre sobre a margem do Tejo, o museu de ciências Pavilhão do Conhecimento e um grande shopping. A vista inclui a ponte Vasco da Gama, uma das mais longas do continente. Bom programa com crianças.
Museu do Azulejo e Feira da Ladra
Em um convento de 1509, o Museu Nacional do Azulejo percorre cinco séculos dessa arte tão portuguesa. Às terças e aos sábados, ao lado do Panteão Nacional, a Feira da Ladra espalha antiguidades, livros, roupas e quinquilharias pelo Campo de Santa Clara.
Passeios e bate-voltas
Sintra, Cabo da Roca, Cascais e Estoril
A 28 km de Lisboa, Sintra tem centro histórico charmoso e o colorido Palácio da Pena no alto da serra. O passeio clássico segue para as falésias do Cabo da Roca, ponto mais ocidental da Europa continental, e volta pela costa, passando por Cascais e pelo Estoril e seu cassino. Dia inteiro.
Fátima
A cerca de 130 km, o santuário recebe peregrinos do mundo inteiro. A visita inclui a basílica, a Capela das Aparições e a moderna Igreja da Santíssima Trindade. Dá para fazer em meio dia ou combinar com as cidades vizinhas.
Óbidos, Nazaré e Batalha
Óbidos é uma vila medieval inteira dentro de muralhas. Nazaré ficou famosa pelas ondas gigantes. Em Batalha, o mosteiro do século 14 é uma joia do gótico português. As três costumam entrar no mesmo dia, junto com Fátima.
Évora
No Alentejo, a cerca de 130 km, a cidade é Patrimônio da Humanidade. Tem templo romano, catedral de traços românicos e góticos e a curiosa Capela dos Ossos. O passeio geralmente inclui visita a uma vinícola da região, com prova de vinhos.
Arrábida, Sesimbra, Palmela e Azeitão
Roteiro para fazer de carro alugado, ao sul do Tejo: castelo de Sesimbra, estrada panorâmica pela serra da Arrábida, choco frito em Setúbal, queijos em Palmela e azulejos artesanais em Azeitão.
Noite de fado
Jantar em uma casa de fado é programa obrigatório para quem quer entender a alma lisboeta. Há opções em Alfama e no Bairro Alto, e também passeios que incluem transporte, jantar e show.
Dia de compras e outlet
A manhã rende no Chiado e na Baixa. À tarde, o destino é o outlet a céu aberto de Alcochete, do outro lado do Tejo, com lojas de marcas internacionais.
Roteiro sugerido
Baixa e Chiado: Praça do Comércio, Rua Augusta, Elevador de Santa Justa, Convento do Carmo e Rua Garrett. Fim de tarde no miradouro de São Pedro de Alcântara e jantar no Bairro Alto.
Alfama pela manhã, com bonde 28, Sé e Castelo de São Jorge. À tarde, Museu do Fado. À noite, jantar com show de fado.
Belém: Mosteiro dos Jerónimos, pastel na confeitaria ao lado, Padrão dos Descobrimentos e Torre de Belém. Na volta, parada na LX Factory e petiscos no Mercado da Ribeira.
Bate-volta a Sintra, com o Palácio da Pena, o Cabo da Roca e retorno pela costa de Cascais e Estoril.
Fátima, Óbidos, Nazaré e Batalha em um dia cheio. Quem prefere ritmo mais calmo pode escolher apenas duas dessas paradas.
Évora, com centro histórico e prova de vinhos no Alentejo. Ou, para um dia leve, Parque das Nações e Oceanário pela manhã e compras à tarde.
Onde comer e o que provar
Pastel de Belém e pastel de nata
Só o doce feito na confeitaria vizinha ao Mosteiro dos Jerónimos, desde 1837, pode se chamar pastel de Belém. Nos demais lugares é pastel de nata. Para fugir da fila do balcão, entre e peça em uma mesa dos salões internos.
Bacalhau
Há receitas para todos os dias do ano. O bacalhau à Brás, desfiado com ovos mexidos, batata palha, cebola e azeitonas, é o mais fácil de encontrar e de gostar.
Peixes, mariscos e petiscos
Sardinha assada na brasa, polvo à lagareiro com batatas e muito azeite, amêijoas à Bulhão Pato com alho e coentro. Para beliscar, peixinhos da horta, que na verdade são vagens empanadas.
Mercado da Ribeira
No Cais do Sodré, o mercado reúne dezenas de bancas de restaurantes e chefs conhecidos em volta de mesas compartilhadas. É o lugar para provar de tudo um pouco, do peixe ao pastel de nata.
Solar dos Presuntos
Casa tradicional aberta em 1974 perto da Avenida da Liberdade, com cozinha portuguesa autêntica. É bom reservar.
Cantinho do Avillez
No Chiado, o restaurante dá um toque moderno aos pratos típicos portugueses, em ambiente descontraído.
Doces de ovos
Além do pastel de nata, procure as queijadas, os travesseiros de Sintra, de massa folhada com creme de amêndoas, e os ovos moles de Aveiro.
Vinhos portugueses
Vinho do Porto, tintos do Douro e do Dão, brancos e tintos frutados do Alentejo, vinho verde do norte. Bares de vinho no Chiado servem em taça, com petiscos para acompanhar.
Onde ficar
Avenida da Liberdade e Marquês de Pombal
A região central tem a melhor estrutura de hotéis, metrô na porta e acesso a pé à Baixa. Boa escolha para a primeira vez na cidade.
Baixa e Chiado
No coração do centro histórico, perto de restaurantes, bares e atrações. Para quem quer fazer quase tudo caminhando e não se incomoda com movimento.
Avenidas Novas
Bairro arborizado e tranquilo a cerca de 4 km do centro, com shoppings, grande loja de departamentos e metrô. Hotéis costumam ter bom preço.
Areeiro
Região de estudantes a uns 5 km do centro, com bares, restaurantes e estações de metrô e trem. Opção econômica e bem conectada.
Parque das Nações
Área moderna à beira do Tejo, perto do Oceanário e da estação Oriente. Prática para famílias e para quem vai seguir de trem para outras cidades.
A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.
Bom saber
Documentos
Brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias. O passaporte deve ter validade de pelo menos três meses além da data de saída da Europa; o recomendável é ter seis meses. É exigido seguro-viagem com cobertura mínima de 30 mil euros. A União Europeia está implantando uma autorização eletrônica de viagem (ETIAS): confirme com a agência se já vale na data da sua viagem. Não há exigência de vacina.
Moeda
Euro. Cartões de crédito internacionais e pré-pagos são bem aceitos.
Idioma
Português. A compreensão é fácil, mas algumas palavras têm sentido e pronúncia diferentes das do Brasil.
Fuso
Três horas à frente de Brasília. No horário de verão europeu, do fim de março ao fim de outubro, a diferença passa a quatro horas.
Tomada/voltagem
220 volts, com tomadas de dois pinos redondos. Um adaptador universal evita surpresas.
Dicas de quem entende
- A cidade é cheia de ladeiras e calçadas de pedra, que ficam escorregadias na chuva. Sapato confortável e com boa aderência é item obrigatório.
- Existe um cartão turístico que inclui transporte público e entrada em várias atrações por um valor fixo. Compensa para quem vai visitar muitos monumentos em poucos dias.
- O trem resolve os bate-voltas: Sintra e Cascais ficam a menos de uma hora, e há linhas para Coimbra e Porto.
- A carteira de habilitação brasileira é aceita para alugar carro. Nas estradas, os pedágios podem ser cobrados por dispositivo eletrônico fornecido pela locadora.
- O serviço não vem incluído na conta dos restaurantes. É costume deixar de 5% a 10% quando o atendimento agrada e arredondar o valor do táxi.
- Turistas de fora da União Europeia podem pedir a devolução do imposto em compras acima de um valor mínimo. Peça o formulário na loja e valide no aeroporto antes de embarcar, com os produtos em mãos.
- Couvert não é cortesia: pão, azeitonas e patês colocados na mesa são cobrados se você comer. Se não quiser, é só recusar.
- No bonde 28 e em áreas muito cheias, fique de olho em bolsas e bolsos.
- No check-in, os hotéis costumam pedir cartão de crédito internacional como garantia para despesas extras.