América do Sul

Peru

Machu Picchu, Cusco e o Vale Sagrado, a mesa farta de Lima e paisagens que vão do deserto ao Lago Titicaca.

Melhor épocaA estação seca nos Andes vai de abril a setembro, com dias de sol e céu azul. É a melhor época para Cusco, Machu Picchu, Arequipa e Puno, e também a mais concorrida, principalmente em junho e julho. As noites são frias e, em julho e agosto, a temperatura pode chegar a zero em Cusco e Puno. De novembro a março chove bastante na serra, com pico em janeiro e fevereiro, o que pode atrapalhar trilhas e a vista em Machu Picchu. Em Lima e Paracas quase não chove: o verão (dezembro a março) tem sol e máximas perto de 27 graus, e o inverno é nublado e ameno, com mínimas por volta de 16.
Quanto tempo ficarPara Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu, o mínimo confortável são cinco dias, contando um para se adaptar à altitude. Com Lima, pense em sete a oito dias. Para incluir Arequipa, Puno ou Paracas, reserve de dez a doze.
Como chegarA porta de entrada é o Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, a cerca de 20 km de Miraflores, o bairro onde a maioria dos turistas se hospeda. Há voos diretos do Brasil para Lima; de Belo Horizonte, normalmente com conexão. De Lima, voos internos de mais ou menos uma hora e meia levam a Cusco, Arequipa e Juliaca, o aeroporto que atende Puno. O aeroporto de Cusco fica bem perto do centro histórico. Para Machu Picchu não há estrada: vai-se de trem até o povoado de Águas Calientes e de lá um ônibus sobe a montanha até a entrada. Paracas fica a umas quatro horas de ônibus de Lima.

Por que ir

O Peru é a viagem de quem quer história de verdade. Machu Picchu é o grande motivo, mas o país entrega muito mais: Cusco, a antiga capital inca, com igrejas coloniais erguidas sobre muros de pedra; o Vale Sagrado, cheio de ruínas e povoados andinos; e Lima, que virou uma das capitais gastronômicas do mundo.

Quem tem mais tempo pode esticar até Arequipa, a cidade branca cercada de vulcões, ver os condores no Cânion do Colca, navegar pelo Lago Titicaca a partir de Puno ou descer ao litoral desértico de Paracas, com as Linhas de Nazca e as Ilhas Ballestas.

É um roteiro para quem gosta de cultura, arqueologia, boa comida e paisagem de montanha. Exige algum fôlego por causa da altitude, mas com um ritmo bem planejado pessoas de todas as idades fazem a viagem.

O que fazer

Lima: centro histórico

A Plaza Mayor reúne a Catedral e os palácios coloniais de balcões de madeira. A poucos passos está a Basílica e Convento de San Francisco, do século 16, conhecida pelas catacumbas subterrâneas e pelo claustro de azulejos. O Convento de Santo Domingo é outra parada clássica.

Lima: Museu Larco e Huaca Pucllana

O Larco ocupa um casarão do século 18 rodeado de jardins e guarda uma coleção impressionante de cerâmicas, ouro e tecidos das civilizações anteriores aos incas. É a melhor introdução ao que você vai ver no resto do país. Em Miraflores, a Huaca Pucllana é uma pirâmide de adobe de cerca de 1.500 anos no meio dos prédios.

Lima: Miraflores e Barranco

Miraflores tem parques no alto da falésia, com vista para o Pacífico e para os surfistas lá embaixo. O vizinho Barranco é o bairro boêmio, com casarões coloridos, galerias, bares e a Ponte dos Suspiros, de madeira. À noite, o Circuito Mágico das Águas, no Parque de la Reserva, faz um show de fontes iluminadas.

Cusco: Plaza de Armas e Qorikancha

A praça principal foi construída sobre o centro cerimonial inca e tem a Catedral e a Igreja da Companhia de Jesus, ambas da época colonial. O Qorikancha foi o templo mais rico do império, coberto de ouro; os espanhóis ergueram um convento sobre ele, e hoje as duas arquiteturas aparecem lado a lado.

Cusco: San Blas, mercado e museus

San Blas é o bairro dos artesãos, de ladeiras estreitas e ateliês. O Mercado de San Pedro mostra o dia a dia da cidade, com frutas, queijos, sucos e bancas de comida. Para entender melhor a história, visite o Museu Inca e a Casa Concha, que expõe peças retiradas de Machu Picchu no começo do século 20.

Cusco: Sacsayhuaman e ruínas vizinhas

A 3 km do centro, a fortaleza de Sacsayhuaman impressiona pelos blocos gigantes de pedra encaixados sem argamassa. Perto dali ficam Qenko, com um altar cerimonial, Pukapukara e Tambomachay, com canais e fontes. Em 24 de junho, a festa do Inti Raymi, em homenagem ao Sol, termina ali.

Vale Sagrado: Ollantaytambo, Chinchero, Moray e Maras

A cerca de 50 km de Cusco, o vale concentra povoados e sítios incas. Ollantaytambo tem terraços enormes na encosta e ruas de pedra habitadas há séculos. Em Chinchero, famílias mostram a tecelagem tradicional. Moray tem terraços circulares que teriam servido de laboratório agrícola, e as salinas de Maras formam um mosaico branco na montanha.

Machu Picchu

A cidade inca foi erguida por volta de 1450 e nunca foi encontrada pelos colonizadores, por isso chegou tão preservada até hoje. O visual das ruínas entre montanhas cobertas de verde é daqueles que ficam na memória. A visita é feita com guia e ingresso com horário marcado, a partir do povoado de Águas Calientes.

Arequipa: a cidade branca

O centro histórico é todo construído em sillar, uma pedra vulcânica clara. A Plaza de Armas, com a Catedral, é uma das mais bonitas do Peru. O Mosteiro de Santa Catalina, fundado em 1580, é uma pequena cidade murada de ruelas coloridas. Dos mirantes de Yanahuara e Carmen Alto se veem os vulcões Misti, Chachani e Pichu Pichu.

Puno: Lago Titicaca

A 3.800 metros de altitude, na fronteira com a Bolívia, é o lago navegável mais alto do mundo. De Puno saem barcos para as ilhas flutuantes dos Uros, construídas com camadas de junco, e para a Ilha Taquile, onde a comunidade mantém roupas e costumes tradicionais.

Paracas, Ica e Nazca

No litoral desértico ao sul de Lima, a Reserva Nacional de Paracas protege praias de falésia e muita vida marinha. Perto de Ica, o oásis de Huacachina é uma lagoa cercada de dunas gigantes, com passeios de bugue e sandboard. Em Nazca, pequenos aviões sobrevoam os desenhos gigantes traçados no chão há mais de mil anos.

Passeios e bate-voltas

Machu Picchu de trem

O bate-volta a partir de Cusco é longo: estrada até a estação de Ollantaytambo, trem até Águas Calientes, ônibus montanha acima, visita guiada e o caminho de volta. Uma alternativa mais tranquila é dormir no Vale Sagrado na véspera ou em Águas Calientes, para subir cedo e sem pressa.

Dia inteiro no Vale Sagrado

O roteiro clássico combina Chinchero e Ollantaytambo, com almoço no caminho. Um segundo dia pode ser dedicado a Moray e às salinas de Maras. Como o vale é mais baixo que Cusco, muita gente prefere começar a viagem por ele para se adaptar melhor à altitude.

Montanha Arco-Íris (Vinicunca)

Saída de madrugada de Cusco e caminhada de cerca de uma hora e meia até um mirante a mais de 5 mil metros, de frente para encostas listradas de rosa, turquesa e dourado. É puxado por causa da altitude e só deve ser feito depois de alguns dias de adaptação.

Lagoa Humantay

Outra trilha de dia inteiro a partir de Cusco. São cerca de 3,5 km de subida até uma lagoa azul-turquesa aos pés dos picos nevados do Salkantay. Exige preparo razoável e agasalho.

Cânion do Colca (saindo de Arequipa)

A 150 km de Arequipa, é um dos cânions mais profundos do mundo. O ponto alto é o mirante Cruz do Condor, onde os condores aproveitam as correntes de ar quente para planar pela manhã. O passeio de um dia sai antes do amanhecer; dormir em Chivay deixa tudo mais confortável.

Ilhas de Uros e Taquile (saindo de Puno)

Dia inteiro de barco pelo Titicaca, com visita às ilhas flutuantes e almoço típico em Taquile. Quem tem pouco tempo pode fazer só Uros, em meio período.

Ilhas Ballestas (saindo de Paracas)

Passeio de lancha pela manhã até ilhas rochosas cheias de lobos-marinhos, pinguins-de-humboldt e aves. No caminho se vê o Candelabro, um geoglifo gigante desenhado na encosta. Não há desembarque: tudo é observado do barco.

Pachacamac (saindo de Lima)

A 30 km da capital, um grande santuário de adobe de frente para o mar, usado por várias civilizações antes dos incas. Tem o Templo do Sol e um bom museu de sítio. Meio dia.

Roteiro sugerido

Dias 1 e 2: Lima

Chegada e passeio por Miraflores no fim da tarde. No segundo dia, centro histórico pela manhã, Museu Larco à tarde e jantar em Barranco. Aproveite para comer muito bem: é a melhor cidade do roteiro para isso.

Dias 3 e 4: Vale Sagrado

Voo para Cusco e descida direta ao Vale Sagrado, para descansar e se acostumar com a altitude. No dia seguinte, Chinchero, Moray, as salinas de Maras e Ollantaytambo.

Dia 5: Machu Picchu

Trem cedo até Águas Calientes, subida de ônibus e visita guiada à cidade inca. À tarde, trem de volta e chegada a Cusco à noite.

Dias 6 e 7: Cusco

Um dia para o centro: Plaza de Armas, Catedral, Qorikancha, San Blas e Mercado de San Pedro. Outro para Sacsayhuaman e as ruínas vizinhas, com tempo livre para compras de artesanato e uma aula de pisco sour à noite.

Dias 8 a 10: extensão

Com mais dias, escolha um complemento. Para o sul, viagem por estrada até Puno e um dia no Lago Titicaca. Para Arequipa, a cidade branca e o Cânion do Colca. Ou, de volta a Lima, dois dias em Paracas para as Ilhas Ballestas, Huacachina e o sobrevoo de Nazca.

Onde comer e o que provar

Ceviche

Peixe cru em cubos, curtido no limão com cebola roxa, pimenta e coentro. É o prato nacional e costuma ser servido no almoço. Em Lima, La Mar, do chef Gastón Acurio, é uma das cevicherias mais conhecidas.

Lomo saltado, causa e ají de gallina

O lomo saltado junta tiras de carne salteadas com cebola, tomate e shoyu, servidas com batata e arroz. A causa limeña é um purê de batata frio temperado com limão e pimenta, recheado com frango ou frutos do mar. O ají de gallina é um frango desfiado em molho cremoso de pimenta amarela.

Chifa e nikkei

A imigração chinesa e a japonesa criaram duas cozinhas próprias do Peru. A chifa mistura técnicas chinesas com ingredientes locais. A nikkei une o Japão ao Peru, com peixes crus, molhos cítricos e pimentas.

Pisco sour e chicha morada

O pisco é um destilado de uva produzido na região de Ica. No pisco sour ele é batido com limão, açúcar e clara de ovo. Para quem não bebe, a chicha morada é um refresco de milho roxo com frutas e especiarias.

Barranco e Miraflores (Lima)

Em Barranco, o Isolina serve comida caseira peruana em porções generosas dentro de um casarão. Em Miraflores, o restaurante da Huaca Pucllana tem mesas com vista para a pirâmide iluminada, e La Rosa Náutica fica sobre um píer no mar. No centro, o Cordano é um bar centenário famoso pelo sanduíche butifarra.

Cozinha andina em Cusco

Prove a sopa de quinoa, a carne de alpaca e, para os curiosos, o cuy, o porquinho-da-índia assado ou frito. O Pachapapa, em San Blas, tem pátio agradável e forno a lenha. A Quinta Eulalia é tradicional em pratos regionais, e o Museo del Pisco é bom para drinques e música.

Picanterías de Arequipa

Arequipa tem cozinha própria, apimentada e farta. O chupe de camarones, uma sopa encorpada de camarão, é o prato símbolo. O Sol de Mayo, em Yanahuara, é uma picantería tradicional, e o Zig Zag funciona em uma casa colonial com uma escada de ferro atribuída a Gustave Eiffel.

Onde ficar

Lima: Miraflores

O bairro mais prático e seguro para o turista, com hotéis de todas as categorias, restaurantes, lojas e os parques de frente para o mar. Barranco, ao lado, é alternativa para quem prefere um clima mais boêmio.

Cusco: centro histórico e San Blas

Ficar a poucas quadras da Plaza de Armas permite fazer tudo a pé. Muitos hotéis ocupam casarões coloniais com pátio interno. San Blas é charmoso, mas fica no alto de ladeiras, o que pesa nos primeiros dias de altitude.

Vale Sagrado

Região de Urubamba e Ollantaytambo, com hotéis de campo cercados de montanhas. É mais baixa que Cusco e fica perto da estação de trem, por isso é ótima para as primeiras noites e para a véspera de Machu Picchu.

Águas Calientes

O povoado aos pés de Machu Picchu. Dormir uma noite ali permite entrar no sítio logo cedo ou aproveitar a tarde com calma, sem a correria do bate-volta.

Arequipa, Puno e Paracas

Em Arequipa, fique no centro histórico, perto da Plaza de Armas e de Santa Catalina. Em Puno, escolha entre o centro, perto da praça, e os hotéis à beira do lago. Em Paracas, a hotelaria fica na orla da baía, com estrutura de resort.

A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.

Bom saber

Documentos

Brasileiro entra no Peru com RG original em bom estado ou passaporte válido. A CNH não é aceita. Não é preciso visto para turismo. Não há exigência de vacina para entrar no país; a de febre amarela é recomendada para quem vai à região amazônica.

Moeda

Sol peruano. O mais prático é levar dólares para trocar lá. Cartões de crédito são bem aceitos nas cidades; em povoados, mercados e feiras, tenha dinheiro em espécie.

Idioma

Espanhol. Nos Andes também se fala quéchua e, na região do Titicaca, aimará.

Fuso

Duas horas a menos que o horário de Brasília.

Tomada e voltagem

220 V. As tomadas costumam aceitar pinos chatos e pinos redondos, mas vale levar um adaptador universal.

Altitude

Lima e Paracas ficam no nível do mar. Arequipa está a cerca de 2.300 metros, Machu Picchu a pouco mais de 2.400, Cusco a 3.400 e Puno a 3.800. Um roteiro que sobe aos poucos é mais confortável.

Seguro-viagem

Não é obrigatório, mas é muito recomendado, por causa da altitude e dos passeios em áreas remotas.

Dicas de quem entende

  • A altitude é o ponto de atenção da viagem. Cusco está a 3.400 metros e Puno a 3.800. No primeiro dia, ande devagar, coma leve, beba bastante água e evite álcool. O chá de coca, oferecido nos hotéis, ajuda.
  • Se você tem problema cardíaco, respiratório ou pressão alta, converse com seu médico antes de fechar o roteiro.
  • Os ingressos de Machu Picchu têm número limitado por dia e horário marcado, e os trens também lotam. Na alta temporada, é preciso garantir tudo com meses de antecedência.
  • Leve o mesmo documento usado na compra para entrar em Machu Picchu. Sem ele, não se entra. Lá dentro não há banheiro nem lanchonete, só na portaria.
  • No trem para Machu Picchu a bagagem é limitada a uma mochila ou mala pequena. O costume é deixar a mala grande guardada no hotel de Cusco.
  • Vista-se em camadas. Nos Andes faz sol forte de dia e frio à noite, no mesmo dia. Protetor solar, chapéu e capa de chuva leve são indispensáveis.
  • Trilhas como a Montanha Arco-Íris e a Lagoa Humantay devem ficar para o fim da estadia em Cusco, quando o corpo já se adaptou.
  • Beba só água mineral e tenha cuidado com saladas cruas em lugares simples. Ceviche, só em restaurante de confiança.
  • Para compras, procure peças de lã de alpaca, prata e tecidos andinos. Em Cusco, o Centro de Textiles Tradicionales vende trabalho de comunidades locais com procedência garantida.
  • Muitos passeios no Peru são conduzidos em espanhol. Se fizer questão de guia em português, avise na hora de montar o roteiro.

Veja também

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