Por que ir
Porto Alegre é a capital mais ao sul do país e a porta de entrada para o Rio Grande do Sul. Tem jeito de cidade grande, com agenda cultural forte, bons restaurantes e noite animada, mas guarda hábitos bem próprios: a roda de chimarrão no parque, o churrasco de domingo e a paixão pelo futebol.
O cartão-postal é a orla do Guaíba, revitalizada nos últimos anos, onde moradores e visitantes se juntam no fim da tarde para ver o sol se pôr sobre a água. O centro histórico concentra prédios antigos, museus e o Mercado Público. Moinhos de Vento é o bairro elegante dos cafés, e a Cidade Baixa é o reduto boêmio.
A cidade combina com quem gosta de roteiro urbano e cultural, e funciona muito bem como começo ou fim de uma viagem à Serra Gaúcha, já que Gramado, Canela e Bento Gonçalves ficam a pouco mais de 100 km.
O que fazer
Orla do Guaíba
O trecho revitalizado à beira do lago tem calçadão, ciclovia, arquibancadas, bares e quiosques. É o lugar para ver o pôr do sol mais famoso da cidade. Nos fins de semana, a avenida ao lado costuma ser fechada para os carros e vira área de lazer. Ali perto fica a Usina do Gasômetro, antiga termelétrica de 1928 transformada em centro cultural e símbolo da capital.
Mercado Público
Em funcionamento desde 1869, é parada obrigatória no centro. As bancas vendem erva-mate, cuias, bombas, charque, especiarias, peixes e embutidos. Também é ótimo para almoçar ou tomar um chope no fim da tarde.
Praça da Alfândega e museus
A praça é cercada por algumas das principais instituições culturais do estado. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) reúne milhares de obras, com destaque para artistas gaúchos. Ao lado ficam o Memorial do Rio Grande do Sul e o Farol Santander, centro cultural em um prédio com escadarias de mármore e vitrais franceses.
Casa de Cultura Mário Quintana
O prédio de 1933 nasceu como um hotel de luxo, onde o poeta Mário Quintana morou por mais de uma década. Hoje é um centro cultural com exposições, salas de cinema e teatro, livraria e cafés. A arquitetura, com passarelas ligando os dois blocos sobre a rua, já vale a visita.
Praça da Matriz: catedral, palácio e teatro
No alto do centro histórico ficam a Catedral Metropolitana, de cúpula imponente e mosaicos na fachada, o Palácio Piratini, sede do governo gaúcho com murais de Aldo Locatelli, e o Theatro São Pedro, uma das casas de espetáculo mais bonitas do país. A visita interna ao palácio depende de agendamento.
Largo dos Açorianos e Ponte de Pedra
O largo foi renovado em 2019 e ganhou espelhos d'água que atraem gente para piquenique e chimarrão. Ali estão a Ponte de Pedra, do século 19, e o Monumento aos Açorianos, que homenageia os casais vindos dos Açores que fundaram a cidade em 1752.
Parque Farroupilha (Redenção)
O parque mais querido dos porto-alegrenses. Aos domingos recebe o Brique da Redenção, feira de artesanato e antiguidades que é um dos programas mais tradicionais da cidade. Tem lago com pedalinhos, parquinho de diversões e uma área de comidinhas ao ar livre.
Moinhos de Vento e o Parcão
Bairro arborizado, com cafés, restaurantes e lojas, principalmente em torno da Rua Padre Chagas. O Parque Moinhos de Vento, o Parcão, tem lago, pista de caminhada e a réplica de um moinho. Perto dali ficam o jardim do DMAE, inspirado em Versalhes, e a Rua Gonçalo de Carvalho, coberta por um túnel de árvores e apelidada de rua mais bonita do mundo.
Fundação Iberê
O museu dedicado ao pintor gaúcho Iberê Camargo ocupa um prédio de concreto branco projetado pelo arquiteto português Álvaro Siza, de frente para o Guaíba. Além do acervo, recebe mostras temporárias. Dá para chegar pedalando pela ciclovia da orla.
Estádios Beira-Rio e Arena do Grêmio
A rivalidade Gre-Nal faz parte da identidade da cidade. Os dois clubes oferecem visitas guiadas que passam por vestiário, túnel de acesso e beira do gramado, além dos museus. Quem gosta de futebol pode tentar encaixar um jogo na viagem.
Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS
Museu interativo, com experimentos em que o visitante põe a mão na massa. É o melhor programa da cidade para crianças e adolescentes, e ocupa facilmente meio dia.
Zona sul: Ipanema e mirantes
A praia de Ipanema de Porto Alegre é de água doce e tem calçadão com bares, movimentado nos fins de semana. Para ver a cidade do alto, suba ao Morro Santa Teresa ou ao Santuário Nossa Senhora Mãe de Deus, de onde se avistam os morros e as ilhas do Guaíba. O Jardim Botânico, na zona leste, é outra opção verde, com trilhas e lagos.
Passeios e bate-voltas
Caminhada guiada pelo centro histórico
Roteiro a pé de cerca de três horas pelos principais prédios, praças e museus do centro, com histórias curiosas contadas pelo guia e paradas para provar comidas locais. É a melhor forma de começar a viagem.
Passeio de barco pelo Guaíba
Saída do cais do centro, com cerca de uma hora de navegação entre as ilhas e narração sobre a história da cidade. No fim da tarde, rende a vista do pôr do sol a partir da água.
Ônibus de turismo
A Linha Turismo percorre os pontos mais conhecidos em ônibus panorâmico. Há a versão sem paradas, boa para quem tem pouco tempo, e a versão em que se pode descer e voltar a embarcar em pontos como o cais, o Beira-Rio, o Parcão e o Mercado Público.
Passeio de bicicleta pela orla
Tour guiado de cerca de 15 km, quase todo plano, passando pela Usina do Gasômetro, Parque Marinha do Brasil, Beira-Rio e Largo dos Açorianos, programado para terminar com o pôr do sol.
Cervejarias artesanais
A cidade tem dezenas de microcervejarias, muitas no Quarto Distrito. Há roteiros que visitam duas fábricas, com degustação e petiscos, e outros que juntam cerveja com visita aos estádios.
Lendas urbanas à noite
Caminhada noturna pelo centro em que o guia e atores contam os casos mais sombrios da história local, como o do açougueiro da Rua do Arvoredo. Diferente e divertido para quem gosta de teatro de rua.
Serra Gaúcha: Gramado e Canela
A cerca de 125 km, é o complemento natural da viagem. O ideal é dormir pelo menos duas noites na serra para ver o Lago Negro, o Mini Mundo, a Cascata do Caracol, a Catedral de Pedra e um dos parques temáticos.
Vale dos Vinhedos e cânions
Bento Gonçalves, a cerca de 120 km, é a base para vinícolas, cantinas italianas e o trem maria-fumaça. Mais longe, Cambará do Sul guarda os cânions dos parques nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral. Os dois pedem pernoite.
Roteiro sugerido
Centro histórico a pé: Mercado Público, Praça da Alfândega com o MARGS, Casa de Cultura Mário Quintana e Praça da Matriz. No fim da tarde, pôr do sol na orla do Guaíba e jantar no Cais Embarcadero.
Manhã no Parque da Redenção, de preferência em um domingo, por causa do Brique. Almoço no Bom Fim. À tarde, Moinhos de Vento, Parcão e Rua Gonçalo de Carvalho. À noite, churrasco.
Fundação Iberê e visita a um dos estádios pela manhã. Depois, passeio de barco pelo Guaíba ou tour de cervejarias no Quarto Distrito.
Subida para Gramado e Canela, com pernoite na serra: Lago Negro, Mini Mundo, Cascata do Caracol, Catedral de Pedra e café colonial.
Parque de neve ou outro parque temático em Gramado, e descida para Porto Alegre no fim do dia, com parada no outlet de Novo Hamburgo para quem quiser compras.
Onde comer e o que provar
Churrasco
Há duas formas de comer: o espeto corrido, como os gaúchos chamam o rodízio, e a parrilla, com cortes na grelha servidos à mesa. O Barranco é um clássico, com mesas em um jardim, e o 20BARRA9 tem ambiente mais descontraído. Peça o vazio, que é a fraldinha de outros estados.
Galeto
As galeterias servem a sequência herdada dos imigrantes italianos: sopa de capeletti, polenta frita, massa, salada com maionese caseira e o galeto assado na brasa. A Galeto Di Paolo é uma das casas conhecidas.
Xis
O sanduíche gaúcho é grande, prensado na chapa e leva maionese, milho e ervilha, além da carne. Os mais pedidos são o de filé e o de coração de galinha. É comida de fim de noite, barata e farta.
Mercado Público
O Gambrinus, aberto em 1889, é considerado o restaurante mais antigo em atividade no estado e serve pratos de inspiração portuguesa, como o bolinho de bacalhau.
Cais Embarcadero
Antigos armazéns do porto viraram um complexo de restaurantes e bares à beira do Guaíba. É o melhor lugar para jantar ou tomar um drinque emendando com o pôr do sol.
Moinhos de Vento
O bairro concentra a cena gastronômica mais variada, de cafés a cozinhas do mundo. O tailandês Koh Pee Pee é um dos endereços mais tradicionais.
Bom Fim e Cidade Baixa
Região de comida simples e boa. A Lancheria do Parque, em frente à Redenção, é querida pelas torradas (o misto quente local), pastéis e pratos à la minuta, o prato feito gaúcho. Na Cidade Baixa, o Tudo Pelo Social segue a mesma linha.
Sagu e chimarrão
A sobremesa típica é o sagu de vinho tinto com creme. Já o chimarrão não se compra em bar: é bebida de roda, tomada nos parques e em casa. Se alguém oferecer, aceite.
Onde ficar
Moinhos de Vento
O bairro mais agradável para se hospedar, com ruas arborizadas, restaurantes e cafés a pé. Indicado para casais e para quem quer sair à noite sem depender de carro.
Centro Histórico
Perto dos museus, do Mercado Público e do cais. Prático para estadias curtas e para quem quer fazer o roteiro cultural a pé. À noite e nos fins de semana fica mais vazio.
Cidade Baixa e Bom Fim
Região boêmia, ao lado da Redenção, com bares e casas de show. Combina com público jovem e com quem gosta de movimento.
Praia de Belas e orla
Entre o centro e a zona sul, perto do Guaíba, de shopping e do Beira-Rio. Boa para quem quer aproveitar a orla e a Fundação Iberê.
Região do aeroporto
Faz sentido para pernoite antes de voo cedo ou para quem chega tarde e segue para a serra no dia seguinte.
A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.
Bom saber
Voltagem
Na capital a tomada é de 127 volts (a antiga 110). Atenção: em Gramado, Canela e em boa parte do interior gaúcho a voltagem é 220.
Eventos do segundo semestre
O Acampamento Farroupilha, maior festa da tradição gaúcha, acontece em setembro no Parque Harmonia. Em outubro há o festival de teatro Porto Alegre em Cena, e entre outubro e novembro a Feira do Livro ocupa a Praça da Alfândega.
Documentos
Documento oficial com foto para o voo e o check-in. Não há exigência de vacina.
Dicas de quem entende
- Programe pelo menos um fim de tarde na orla. O pôr do sol no Guaíba é a experiência mais marcante da cidade.
- Se puder escolher, inclua um domingo para pegar o Brique da Redenção funcionando.
- Muitos museus e centros culturais fecham às segundas. Confira antes de montar o roteiro.
- No inverno o frio é úmido e venta na beira do lago. Leve casaco corta-vento, além das camadas.
- Para ir à serra, alugar carro dá mais liberdade. Quem não quer dirigir encontra transfer e passeios regulares.
- No centro histórico, prefira circular de dia e use carro de aplicativo à noite, como em qualquer capital.
- Leve na mala o kit gaúcho do Mercado Público: cuia, bomba e erva-mate fechada a vácuo.
- Em dia de Gre-Nal ou de jogo grande, o trânsito perto dos estádios trava. Ajuste os horários.
- A orla e os parques são planos e têm ciclovia. Alugar bicicleta é uma boa forma de se deslocar entre o centro e a Fundação Iberê.
- Aprenda duas palavras antes de ir: sinaleira é semáforo e bergamota é mexerica.