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Bahia

Chapada Diamantina

Cachoeiras gigantes, poços de água azul, grutas e morros de topo reto no coração da Bahia, com cidades históricas do tempo do garimpo.

Melhor épocaO clima é ameno o ano inteiro, com médias perto de 23 graus no verão e 19 no inverno, e noites frescas, principalmente em Mucugê e no Vale do Capão. Chove mais em novembro, dezembro e janeiro, quando as cachoeiras ficam cheias, mas algumas trilhas podem fechar. No período seco, de maio a setembro, caminha-se melhor, mas quedas como a da Fumaça podem estar com pouca água. De abril ao início de setembro o sol entra no Poço Encantado e forma o famoso facho de luz azul. Os meses de transição costumam dar o melhor equilíbrio.
Quanto tempo ficarNo mínimo quatro dias em Lençóis para os passeios clássicos. Com sete ou oito dias dá para incluir Mucugê, o Poço Azul e a Cachoeira do Buracão. A travessia do Vale do Pati pede de dois a cinco dias a mais.
Como chegarLençóis tem um pequeno aeroporto, a cerca de 25 km do centro, que recebe poucos voos. O caminho mais usado é voar até Salvador e seguir por estrada: são cerca de 420 km, cumpridos em transfer, carro alugado ou ônibus de linha, que leva em torno de seis horas. Vitória da Conquista é outra porta de entrada, a distância parecida. As atrações ficam espalhadas, então os passeios são feitos com transporte e guia ou de carro.

Por que ir

A Chapada Diamantina é uma região de serras no centro da Bahia, um oásis verde em pleno sertão. Boa parte dela é protegida por um parque nacional criado em 1985. A paisagem é feita de morros de topo achatado, cânions, cachoeiras altas, grutas e poços de água tão transparente que parece azul.

As cidades nasceram com a corrida dos diamantes no século 19 e guardam casario colonial colorido. Lençóis é a base mais procurada, com restaurantes e bares animados. Mucugê, Igatu, Andaraí, Ibicoara e o Vale do Capão completam o mapa.

É um destino para quem gosta de caminhar e tomar banho de rio. Há passeios leves, que servem para famílias e para quem não tem preparo, e travessias de vários dias para os mais aventureiros.

O que fazer

Lençóis

O centro histórico, tombado, lembra a época em que a cidade foi uma das mais ricas da Bahia graças aos diamantes. Vale ver a igreja do Senhor dos Passos, a matriz de Nossa Senhora do Rosário e a praça do coreto. À noite, a Rua das Pedras e a Rua da Baderna enchem de mesas na calçada.

Morro do Pai Inácio

O mirante mais famoso da chapada, no município de Palmeiras. A subida é curta e a vista alcança 360 graus, com os morros de topo reto enfileirados. O pôr do sol lá de cima é o cartão-postal da região.

Gruta da Lapa Doce, Pratinha e Gruta Azul

Na Lapa Doce caminha-se por um salão subterrâneo enorme, com formações de rocha, acompanhado de guia local. Na Fazenda Pratinha, a água é cristalina para flutuação, banho e tirolesa. Ao lado, a Gruta Azul ganha cor intensa quando o sol entra.

Poço Azul e Poço Encantado

Entre Lençóis e Mucugê. No Poço Azul você flutua com snorkel dentro de uma gruta de água azul e transparente. No Poço Encantado só se observa: a lagoa fica dentro de uma caverna e, em parte do ano, um raio de sol atravessa a água e revela o fundo a dezenas de metros.

Cachoeira da Fumaça

Uma das mais altas do Brasil, com quase 400 metros de queda. A trilha sai do Vale do Capão, tem cerca de 12 km entre ida e volta e começa com subida forte. Chega-se pela parte de cima, a um mirante na beira do abismo.

Cachoeira do Buracão

Em Ibicoara, no sul da chapada. Depois de caminhar ao longo do rio, entra-se em um cânion estreito, a nado ou por passarela, até a queda de 85 metros. Para muita gente é a cachoeira mais bonita da região.

Cachoeira do Mosquito e Poço do Diabo

A do Mosquito fica em uma fazenda a 40 km de Lençóis, tem queda de 60 metros e caminhada curta, boa para todas as idades. O Poço do Diabo, no rio Mucugezinho, tem várias áreas de banho e pequenas quedas. Os dois costumam ser combinados no mesmo dia.

Serrano e Ribeirão do Meio

Passeios leves, colados em Lençóis. No Parque do Serrano a trilha sobe o rio entre caldeirões, que são piscinas escavadas na rocha, o Salão de Areias Coloridas e pequenas cachoeiras. No Ribeirão do Meio há um escorregador natural de pedra que termina em um poço.

Mucugê

A quase mil metros de altitude, é mais fria e tranquila que Lençóis, com centrinho florido e bem cuidado. Tem o Cemitério Bizantino, de túmulos brancos ao pé de um paredão, o Projeto Sempre-Viva, com o Museu Vivo do Garimpo e trilha até cachoeiras, e uma vinícola de altitude que recebe visitantes.

Igatu

Povoado de pedra com poucas centenas de moradores, tombado como patrimônio histórico. Já teve milhares de habitantes no auge do garimpo, e as ruínas das casas dos garimpeiros formam uma cidade fantasma. Tem ateliês, artesanato e uma galeria que conta essa história.

Vale do Capão

Distrito de Palmeiras cercado de montanhas, com clima alternativo, pousadas rústicas, comida natural e muita gente de mochila. É a base para a Cachoeira da Fumaça e ponto de partida das travessias do Vale do Pati.

Andaraí e Marimbus

Andaraí guarda casarões do ciclo do diamante e um parque municipal com várias cachoeiras. Perto dali fica o Marimbus, uma área alagada apelidada de pantanal da chapada, percorrida de canoa a partir da comunidade quilombola do Remanso.

Passeios e bate-voltas

Grutas e Morro do Pai Inácio

O passeio mais clássico, de dia inteiro e esforço leve. Reúne a Gruta da Lapa Doce, a Pratinha e a Gruta Azul, com almoço na fazenda, e termina no Pai Inácio para o pôr do sol.

Poço Azul e Poço Encantado

Dia inteiro com bastante estrada e pouca caminhada. Bom para descansar as pernas entre duas trilhas mais pesadas.

Cachoeira do Sossego

Trilha exigente de dia inteiro a partir de Lençóis, com trechos sobre as pedras do leito do rio. No fim, uma queda de 20 metros em um paredão avermelhado, com poço grande para banho. Só para quem tem bom preparo.

Cachoeira da Fumaça

Dia inteiro, com saída pelo Vale do Capão. A caminhada é longa e a subida inicial cansa, mas o trecho final é plano. Na volta costuma haver parada para banho na cachoeira do Riachinho.

Cachoeira do Buracão

Feita a partir de Mucugê ou Ibicoara, com guia local obrigatório. A caminhada é moderada e o trecho final, dentro do cânion, é o momento mais marcante. Saindo de Lençóis é uma viagem longa, por isso vale dormir em Mucugê.

Travessia do Vale do Pati

Um dos trekkings mais bonitos do país, de dois a cinco dias, com pernoite em casas de moradores do vale ou em camping. Passa pelos Gerais do Vieira, pelo Morro do Castelo e pelo mirante do Cachoeirão. Exige guia, preparo físico e mochila leve.

Roteiro sugerido

Dia 1

Chegada a Lençóis depois da viagem de estrada. Caminhada pelo centro histórico e jantar na Rua das Pedras.

Dia 2

Aquecimento perto da cidade: caldeirões e areias coloridas do Serrano pela manhã, escorregador natural do Ribeirão do Meio à tarde.

Dia 3

Passeio das grutas: Lapa Doce, Pratinha e Gruta Azul, com pôr do sol no Morro do Pai Inácio.

Dia 4

Cachoeira do Mosquito pela manhã e banho no Poço do Diabo à tarde. Quem vai continuar a viagem segue para dormir em Mucugê.

Dia 5

Flutuação no Poço Azul e visita ao Poço Encantado. Fim de tarde no Cemitério Bizantino e jantar em Mucugê.

Dia 6

Cachoeira do Buracão, em Ibicoara, com a travessia do cânion. Retorno a Lençóis no fim do dia, com parada em Igatu se houver tempo.

Onde comer e o que provar

Godó de banana e cortado de palma

Pratos da cozinha dos garimpeiros. O godó é um ensopado de banana verde com carne de sol. O cortado de palma é um refogado feito com um cacto comestível. Aparecem em vários restaurantes regionais de Lençóis.

Rua das Pedras e arredores, em Lençóis

Concentra restaurantes de cozinha nordestina e regional, como o Lampião e o Quilombola, além de pizzarias, crepes e casas de massas artesanais como o Cozinha Aberta.

Restaurante Azul

À beira do rio, em Lençóis, é a opção para um jantar mais caprichado, com cozinha regional e internacional.

Mucugê

A Pizza da Garagem, de um casal de italianos que usa ingredientes orgânicos, é parada quase obrigatória. Há também cafés com tortas e chocolate quente para as noites frias.

Jaca no Vale do Capão

A vila ficou conhecida pela comida vegetariana, principalmente pelas coxinhas e moquecas feitas com jaca.

Café e cachaça da chapada

A região produz cafés especiais de altitude, com destaque para Ibicoara e Piatã, e cachaça artesanal. São boas lembranças para trazer, junto com mel e geleias.

Almoço nos passeios

Em dia de trilha, o almoço costuma ser lanche levado na mochila ou comida caseira em fazendas e casas de moradores, com galinha caipira, feijão e legumes da roça.

Onde ficar

Lençóis

A base mais completa, com a maior oferta de pousadas, restaurantes, agências e vida noturna. Ideal para a primeira viagem e para os passeios do norte da chapada.

Mucugê

Mais calma e fria, com centrinho charmoso. É a melhor base para o Buracão, o Poço Azul, o Poço Encantado e Igatu. Combina bem com Lençóis em uma viagem de uma semana.

Vale do Capão

Para quem busca clima de vila alternativa, contato com a natureza e trilhas saindo da porta. As hospedagens são mais rústicas e a estrada de acesso é de terra.

Igatu e Ibicoara

Opções para uma noite de passagem. Igatu pelo charme das casas de pedra, Ibicoara pela proximidade com o Buracão.

A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.

Bom saber

Documentos

Documento oficial com foto (RG ou CNH), inclusive para crianças.

Voltagem

220 V.

Estrutura

Lençóis tem bancos, farmácias e lojas de equipamento de trilha. Nas vilas menores o comércio é limitado, então leve remédios de uso pessoal.

Dicas de quem entende

  • Contrate guia. Muitos atrativos exigem condutor local, as trilhas são mal sinalizadas e o sinal de celular some fora das cidades.
  • Na mala: bota ou tênis de trilha já amaciado, roupa de banho, camiseta de manga comprida, chapéu, protetor solar, repelente e um casaco para a noite.
  • Leve dinheiro em espécie. Vários atrativos ficam em propriedades particulares e cobram entrada, nem sempre com cartão.
  • Para ver o raio de luz no Poço Encantado, viaje entre abril e o início de setembro e confirme com o guia o horário em que o sol entra na gruta.
  • No Poço Azul e na Pratinha não se usa protetor solar nem repelente antes de entrar na água, para preservar a transparência. Há ducha no local.
  • Seja honesto com o guia sobre o seu preparo físico. Sossego, Fumaça e Vale do Pati são trilhas pesadas, e há muitas opções leves igualmente bonitas.
  • No período de chuva, o nível dos rios sobe rápido. Respeite a orientação do guia se ele cancelar ou trocar um passeio.
  • As distâncias enganam: há estradas de terra e trechos lentos. Dividir a hospedagem entre Lençóis e Mucugê poupa horas de carro.
  • A região tem festas o ano todo, como a do Senhor dos Passos em Lençóis, no fim de janeiro, o São João em junho e a feira literária de Mucugê em agosto. Nessas datas, reserve com antecedência.

Veja também

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