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Tocantins

Jalapão

Fervedouros onde não se afunda, dunas douradas e cachoeiras de água azul em uma expedição 4x4 pelo Cerrado.

Melhor épocaA seca vai de maio a outubro, com dias de sol, pouca chance de chuva e noites mais frescas. É a fase preferida: a água dos rios e fervedouros fica mais clara. Julho é o mês menos chuvoso e coincide com a florada dos ipês. Setembro é a época da colheita do capim-dourado. De novembro a abril chove, principalmente em dezembro e janeiro. As estradas de areia ficam mais firmes, mas a água pode turvar. A temperatura varia pouco, entre 20 e 35 graus.
Quanto tempo ficarDe 4 a 6 dias dentro do Jalapão, mais uma noite em Palmas na chegada ou na volta. Os deslocamentos são longos e os roteiros mais curtos deixam atrativos importantes de fora.
Como chegarA viagem começa em Palmas, capital do Tocantins, onde fica o aeroporto. Saindo de Belo Horizonte, o voo costuma ter conexão. De Palmas até Ponte Alta do Tocantins, porta de entrada da região, são cerca de 190 km. Mateiros, que concentra a maior parte dos atrativos, fica mais 160 km adiante, já em estrada de terra. São Félix do Tocantins, a 90 km de Mateiros, é outra base do circuito. Todo o trajeto é feito em veículo 4x4 com motorista experiente.

Por que ir

O Jalapão é uma área enorme no leste do Tocantins, maior do que o estado de Alagoas, com oito municípios e várias unidades de conservação. A paisagem mistura campos, veredas de buritis, chapadões, rios limpos e dunas de areia alaranjada no meio do Cerrado.

A estrela são os fervedouros: poços de água transparente em que a nascente brota do fundo com tanta pressão que o corpo não afunda. Mas a viagem vai além deles. Tem cachoeira de água morna, cânion, pôr do sol nas dunas e visita a comunidades quilombolas que vivem do artesanato de capim-dourado.

É uma viagem de expedição. As estradas são de terra e areia, as distâncias são grandes e a estrutura é simples. Por isso o Jalapão é feito em roteiros organizados, com guia e veículo 4x4. Combina com quem gosta de natureza e aceita trocar um pouco de conforto por lugares únicos.

O que fazer

Fervedouros

São pelo menos 30 abertos à visitação. A areia branca no fundo, a água azul e as bananeiras e buritis em volta formam a imagem mais famosa do Jalapão. A entrada é feita em pequenos grupos e por tempo limitado, para preservar a nascente. Bela Vista, Buritis, Ceiça, Buritizinho e Encontro das Águas estão entre os mais visitados.

Dunas do Jalapão

Formadas pela erosão da Serra do Espírito Santo, as dunas ficam douradas no fim da tarde. A caminhada até o alto é curta e fácil, e o pôr do sol dali é o momento mais esperado da viagem. Do topo se avistam vários morros da região.

Cachoeira do Formiga

A 30 km de Mateiros, é uma queda pequena que forma um poço de água morna, azul-turquesa e muito transparente. Samambaias e palmeiras fazem sombra em volta. Dá para ficar embaixo da queda como em uma hidromassagem.

Cachoeira da Velha e prainha do Rio Novo

A maior cachoeira da região tem forma de ferradura, cerca de 100 metros de largura e 15 de queda. Não se pode nadar ali, mas uma passarela de madeira leva bem perto da água. Uma trilha fácil de 1,5 km termina em uma praia de rio ótima para banho.

Cânion do Sussuapara

Fica a 12 km de Ponte Alta e costuma ser a primeira parada. As paredes de pedra, com cerca de 12 metros, são cobertas de vegetação, e no fundo corre uma pequena cascata de água fria. O acesso é por uma trilha curta.

Mirante da Serra do Espírito Santo

A trilha mais puxada do roteiro. São uns 800 metros de subida até o primeiro mirante e mais um trecho plano até o segundo, somando 8 km de ida e volta. Em geral se sobe de madrugada para ver o sol nascer sobre o Jalapão.

Comunidades quilombolas e capim-dourado

Mumbuca é o povoado mais conhecido pelo artesanato de capim-dourado, uma sempre-viva que brilha como ouro. Bolsas, brincos, mandalas e vasos são vendidos pelas próprias artesãs. A visita ajuda a entender a cultura dos jalapoeiros.

Prainha do Alecrim

Praia de rio com uma longa faixa de areia e água clara, cercada de mata. Costuma entrar no último dia do roteiro, como parada para um banho sem pressa.

Serra da Catedral

Formação rochosa que lembra a fachada de uma igreja. É parada rápida para fotos no caminho de volta a Palmas.

Parque Encantado e Cachoeirinha dos Buritis

Conjuntos de poços e pequenas quedas no meio da mata, com água transparente e pouca profundidade. São paradas leves, encaixadas entre um fervedouro e outro.

Passeios e bate-voltas

Serras Gerais: Pedra Furada

A região vizinha costuma entrar no começo ou no fim do roteiro. A Pedra Furada é um grande bloco de arenito esculpido pelo vento, com três aberturas que parecem portais. No fim da tarde, araras e papagaios voltam para dormir nas rochas. Fica a cerca de 35 km de Ponte Alta.

Serras Gerais: Lagoa do Japonês

Lagoa de água verde e azul em uma gruta de paredões de calcário. É ótima para flutuar com máscara e snorkel e tem uma tirolesa que termina dentro da água.

Canoagem no Rio Novo

Descida tranquila de canoa por um rio de água muito limpa, em trecho de natureza preservada. Em agosto e setembro a atividade pode ser trocada por trilha e flutuação, para não atrapalhar a reprodução do pato-mergulhão, ave ameaçada de extinção.

Rafting na Cachoeira da Velha

Para os mais aventureiros, as corredeiras do Rio Novo perto da cachoeira permitem a prática de rafting. É opcional e depende das condições do rio.

Roteiro sugerido

Dia 1

Saída de Palmas bem cedo. No caminho, visita à Pedra Furada e banho na Lagoa do Japonês, nas Serras Gerais. Noite em Ponte Alta.

Dia 2

Cânion do Sussuapara pela manhã, almoço caseiro e visita a uma comunidade quilombola à beira do Rio Novo. Fim de tarde nas Dunas do Jalapão para o pôr do sol. Noite em Mateiros.

Dia 3

Manhã entre fervedouros e a Cachoeirinha dos Buritis. À tarde, artesanato de capim-dourado em uma comunidade, mais um fervedouro e banho na Cachoeira do Formiga.

Dia 4

Mais dois fervedouros pela manhã e, depois do almoço, outro trecho do Rio Formiga. Quem tem preparo pode trocar a manhã pela trilha do Mirante da Serra do Espírito Santo.

Dia 5

Banho na Prainha do Alecrim, Fervedouro Bela Vista e Parque Encantado. Depois do almoço, parada para foto na Serra da Catedral e retorno a Palmas.

Onde comer e o que provar

Comida caseira

As refeições são feitas nas pousadas e em restaurantes simples perto dos atrativos. O cardápio é arroz, feijão, farofa, frango caipira, carne de panela, peixe frito e mandioca. Simples e bem feito.

Arroz com pequi

O fruto do Cerrado dá cor e perfume ao arroz. Cuidado ao comer o pequi inteiro: só se rói a polpa, sem morder o caroço.

Paçoca de pilão

Carne-seca socada no pilão com farinha de mandioca. É receita típica do Tocantins e aparece em almoços nas comunidades.

Sorvetes regionais

Em algumas paradas dá para provar sorvete de frutas do Cerrado, como mangaba e coco-catolé.

Onde ficar

Ponte Alta do Tocantins

Porta de entrada do Jalapão e base para o Cânion do Sussuapara e para as Serras Gerais. Tem pousadas simples e o posto de saúde mais próximo da região.

Mateiros

Povoado no coração do circuito, perto das dunas, da Cachoeira do Formiga e de vários fervedouros. As pousadas são simples, em geral com banheiro privativo e ar-condicionado.

São Félix do Tocantins

Base para os fervedouros do lado norte e para a Prainha do Alecrim. Costuma ser a última noite dos roteiros circulares.

Acampamento de luxo

Há roteiros com base fixa em um acampamento estruturado à beira do Rio Novo, com tendas equipadas com cama e banheiro. Não tem sinal de celular nem internet e a energia é solar. É para quem quer se desligar de verdade.

A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.

Bom saber

Voltagem

A voltagem na região é 220 volts.

Como é a viagem

Os roteiros incluem transporte 4x4, guia, hospedagem, refeições e as taxas de entrada dos atrativos. A hospedagem em Palmas costuma ser contratada à parte.

Dicas de quem entende

  • Leve mochila ou bolsa maleável. Malas rígidas e de rodinha não cabem nos veículos, e cada roteiro tem um limite de volume por pessoa.
  • Leve dinheiro em espécie. Quase não há caixa eletrônico e poucos lugares aceitam cartão, inclusive as lojinhas de artesanato.
  • Não existe farmácia nem hospital dentro do Jalapão. Leve seus remédios de uso contínuo, analgésico e antialérgico, e faça um seguro-viagem.
  • Roupas leves de secagem rápida, roupa de banho, chapéu, óculos de sol, papete e um casaco para a noite resolvem a mala.
  • Evite protetor solar e repelente antes de entrar nos fervedouros. Os produtos prejudicam a nascente.
  • Uma mochila pequena, toalha compacta, garrafa de água, lanterna e carregador portátil ajudam muito no dia a dia.
  • Espere ficar alguns dias sem sinal de celular. Só algumas pousadas têm wi-fi.
  • A maioria dos atrativos tem acesso por caminhada curta e plana. Só a trilha da Serra do Espírito Santo pede preparo físico e não é indicada para sedentários ou cardíacos.
  • Na compra do capim-dourado, prefira as associações das próprias comunidades. O dinheiro fica com quem produz.

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