Por que ir
Este guia cobre a Amazônia de expedição, no eixo entre Manaus e Boa Vista. A BR-174 liga as duas capitais e é a única estrada entre Roraima e o resto do país. Ao longo dela ficam as cachoeiras de Presidente Figueiredo, terras indígenas, a Serra do Tepequém e o caminho para a Venezuela, onde começa a subida do Monte Roraima.
São três formas de viver a região. A primeira é um roteiro de carro, de nível fácil, com cidades, trilhas curtas e convivência com comunidades indígenas. A segunda é a caminhada de vários dias até o topo do Monte Roraima, com noites em acampamento. A terceira é a subida ao Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, guiada pelos yanomami.
A rota de carro serve para quase todo mundo que gosta de natureza e cultura. O Monte Roraima pede preparo moderado e espírito de aventura. O Pico da Neblina é para quem já tem experiência em trilhas longas e difíceis.
O que fazer
Manaus: centro histórico
O Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, é o símbolo da época da borracha. Em frente fica o Largo de São Sebastião, sempre movimentado. Perto do rio, o Mercado Adolpho Lisboa vende farinhas, peixes, ervas e artesanato.
Manaus: Museu da Amazônia (MUSA)
Uma reserva de floresta primária dentro da cidade. Tem borboletário, lago com vitórias-régias, exposições e uma torre de 42 metros para ver a mata por cima das copas. Vá de tênis e reserve meio dia.
Manaus: Encontro das Águas
De barco, você vê o Rio Negro, escuro, correr lado a lado com o Solimões, barrento, sem se misturar. No caminho podem aparecer botos-cor-de-rosa.
Presidente Figueiredo: cachoeiras
A 120 km de Manaus, a cidade é cercada de quedas-d'água no meio da floresta. Iracema e Araras têm piscinas naturais de água limpa. A do Mutum tem prainha e poços fundos, e a da Pedra Furada é conhecida pelas duchas naturais.
Presidente Figueiredo: grutas
A Caverna do Maroaga e a Gruta da Judeia são as mais bonitas da região, com acesso por trilha na mata. Na cidade também se compra artesanato dos Waimiri-Atroari.
Boa Vista
A capital de Roraima chama atenção pelo traçado planejado, com avenidas largas e muitas praças. O passeio de barco pelo Rio Branco e o Parque do Rio Branco, com mirante e praia de rio, completam o dia.
Gran Sabana e Paraitepuy (Venezuela)
Depois da fronteira, em Pacaraima, a paisagem se abre em uma savana de campos e montanhas de topo plano. A comunidade indígena de Paraitepuy recebe visitantes para uma noite, com vista direta para o Monte Roraima. No retorno, o roteiro passa por mirantes e pela Cachoeira Jaspe, de pedra avermelhada.
Serra do Tepequém
No município de Amajari, em Roraima, foi área de garimpo de ouro e diamante. Hoje atrai pelas cachoeiras do Paiva, do Barata e do Sobral e pelo Mirante Mão de Deus. Há poços e piscinas naturais para banho.
Monte Roraima
Montanha de topo plano na divisa entre Brasil, Venezuela e Guiana, com rochas entre as mais antigas da Terra. Lá em cima há vales de cristais de quartzo, piscinas naturais, mirantes e plantas que só existem ali. Para o povo pemon é um lugar sagrado.
Pico da Neblina (Yaripo)
Com 2.995 metros, é o ponto mais alto do Brasil, na fronteira com a Venezuela. Fica em terra yanomami e dentro de um parque nacional. As expedições voltaram a acontecer em 2022, com guias da própria comunidade.
São Gabriel da Cachoeira
Banhada pelo Rio Negro, é considerada a cidade mais indígena do Brasil e serve de base para o Pico da Neblina. A visita a uma comunidade da região mostra o modo de vida, o preparo da mandioca e o artesanato.
Passeios e bate-voltas
Encontro das Águas e Janauary
Passeio de barco de um dia saindo de Manaus. Depois do encontro dos rios, o barco segue para uma área de várzea onde vivem comunidades ribeirinhas. Tem almoço regional em restaurante flutuante, visita a um criadouro de pirarucu e apresentação de dança indígena.
Rota 174, de Manaus a Boa Vista
Roteiro de cerca de 12 dias de carro, quase todo em asfalto, com 4x4 nos trechos necessários. Passa por Presidente Figueiredo, atravessa a Reserva Waimiri-Atroari, visita Boa Vista, entra na Venezuela e termina na Serra do Tepequém. As trilhas são curtas e o nível é fácil.
Trekking ao Monte Roraima
A caminhada começa em Paraitepuy, no lado venezuelano. São três dias de subida, com travessia de rios e acampamentos, até o topo. Lá em cima se visitam o Vale dos Cristais, o Ponto Triplo que marca as três fronteiras, o poço El Foso, as piscinas chamadas de jacuzzis e o mirante La Ventana. O roteiro mais longo chega ao Lago Gladys, no lado mais isolado.
Expedição ao Pico da Neblina
Parte de São Gabriel da Cachoeira de carro e de barco até a aldeia Maturacá, onde os pajés fazem um ritual de proteção. A trilha tem cinco dias de subida por mata fechada e alagada, com noites em rede, e três de descida. É uma das caminhadas mais difíceis do país.
Fazenda tradicional em Roraima
No caminho entre o Tepequém e Boa Vista, a parada em uma fazenda antiga do lavrado apresenta a história da ocupação da região e os cavalos lavradeiros, que vivem soltos nos campos de Roraima.
Roteiro sugerido
Chegada a Manaus. No segundo dia, centro histórico pela manhã, com Teatro Amazonas, Largo de São Sebastião e mercado, e tarde no Museu da Amazônia.
Passeio de barco ao Encontro das Águas e ao Janauary, com almoço em restaurante flutuante. No fim da tarde, estrada até Presidente Figueiredo.
Cachoeiras e grutas de Presidente Figueiredo: Maroaga, Judeia, Iracema, Araras, Mutum e Pedra Furada, com almoço à beira do Lago de Balbina.
Viagem a Boa Vista cruzando a Reserva Waimiri-Atroari. No dia seguinte, passeio pela cidade, barco no Rio Branco e fim de tarde no parque à beira do rio.
Travessia da fronteira em Pacaraima e subida em 4x4 pela Gran Sabana até Paraitepuy, com noite diante do Monte Roraima. Na volta, mirantes, Cachoeira Jaspe e chegada à Serra do Tepequém.
Cachoeiras e mirantes do Tepequém. Retorno a Boa Vista com parada em uma fazenda tradicional, última noite na capital e voo de volta.
Onde comer e o que provar
Peixes de rio
O pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, é a estrela da mesa amazônica. Aparece nos restaurantes de Manaus e nos almoços dos passeios de barco.
Restaurante flutuante no Janauary
O almoço do passeio ao Encontro das Águas é servido sobre o rio, com pratos regionais. Faz parte da experiência.
Mercado Adolpho Lisboa
Bom lugar em Manaus para conhecer farinhas, peixes, ervas e frutas da região e fazer um lanche entre as bancas.
Restaurante do Miranda, no Lago de Balbina
Em Presidente Figueiredo, fica no porto e tem vista para o lago da hidrelétrica. É parada de almoço entre uma cachoeira e outra.
Refeições nas comunidades
Em Paraitepuy e em Maturacá a comida é preparada pelos moradores. Nas trilhas, a equipe de apoio cozinha nos acampamentos.
Onde ficar
Manaus
O centro histórico deixa você perto do Teatro Amazonas e do Largo de São Sebastião. É a melhor base para os primeiros dias e para os passeios de barco.
Presidente Figueiredo
Pousadas simples na cidade e nos arredores, perto das cachoeiras. Duas noites são suficientes.
Boa Vista
Base para o Tepequém, para a fronteira com a Venezuela e para a saída ao Monte Roraima. A rede hoteleira é concentrada na área central.
São Gabriel da Cachoeira
Hotéis e pousadas pequenos, usados nos dias antes e depois da expedição ao Pico da Neblina.
Acampamentos e comunidades
No Monte Roraima se dorme em barraca. No Pico da Neblina, em rede com mosquiteiro. Em Paraitepuy, a hospedagem é na própria comunidade indígena.
A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.
Bom saber
Documentos e vacinas
RG ou CNH bastam para os trechos no Brasil. Nos roteiros que entram na Venezuela, leve também o passaporte, se tiver, e o Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela. A vacina deve ser tomada pelo menos 10 dias antes da viagem.
Fuso horário
Amazonas e Roraima estão uma hora atrás do horário de Brasília.
Preparo físico
A rota de carro é de nível fácil. O Monte Roraima pede preparo moderado. O Pico da Neblina exige ótimo condicionamento, experiência em trilhas e equilíbrio emocional para lidar com chuva, lama e desconforto.
Dicas de quem entende
- O seguro-viagem é obrigatório nas expedições. Contrate antes de sair de casa.
- Leve dinheiro em espécie para artesanato e despesas pequenas. Na Venezuela, real e dólar são aceitos.
- Nas trilhas longas dá para contratar um carregador local para a mochila. Combine isso com antecedência.
- Para o Monte Roraima e o Pico da Neblina, leve bota de trekking já amaciada, sandália fechada de borracha para atravessar rios, meias extras, segunda pele, casaco e saco de dormir para frio.
- Bastão de caminhada, chapéu de aba, óculos escuros, protetor solar, repelente e purificador de água entram na lista básica.
- No Pico da Neblina o viajante carrega seus pertences, a água, a rede e o mosquiteiro. Treine caminhadas com peso nos meses anteriores.
- Peça autorização antes de fotografar moradores das comunidades indígenas e siga as orientações do guia e das lideranças.
- Em Manaus, faça os passeios a pé cedo ou no fim da tarde. O calor e a umidade no meio do dia são fortes.
- Baterias extras para a câmera são importantes. Nos acampamentos não há onde recarregar.