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Minas Gerais

Minas Gerais

Cidades históricas, serras, cachoeiras, águas termais e a melhor mesa do país, tudo a algumas horas de estrada.

Melhor épocaO inverno é a estação seca e a mais agradável para as cidades históricas e para as serras, com dias de céu azul e noites frias, na média de 12 graus e menos que isso em Monte Verde e Gonçalves. É também a época ideal para trilhas. O verão é quente e chuvoso: as cachoeiras ficam cheias, mas as pancadas de fim de tarde atrapalham passeios de barco e estradas de terra. Em Capitólio, os meses mais secos deixam a água do lago mais verde e clara. Feriados, Semana Santa e Carnaval lotam Ouro Preto, Tiradentes e Diamantina.
Quanto tempo ficarUm fim de semana resolve um destino só, como Ouro Preto ou o Caraça. Para um circuito de carro por cidades históricas e Belo Horizonte, reserve de sete a dez dias. O Sul de Minas e Capitólio pedem viagens próprias, de três a cinco dias cada.
Como chegarSaindo de Ponte Nova e região, o caminho natural é a estrada. Mariana e Ouro Preto ficam a menos de 100 km, pela rodovia que sobe em direção a Belo Horizonte, e a capital está a cerca de 180 km. A partir de BH, as distâncias aproximadas são: 100 km até a Serra do Cipó, 120 km até o Santuário do Caraça, 190 km até Tiradentes, 290 km até Capitólio, 360 km até Araxá e de 380 a 490 km até o Circuito das Águas, Poços de Caldas e Monte Verde. O Caraça, perto de Catas Altas e Santa Bárbara, pode ser alcançado sem passar pela capital. Para os destinos mais distantes, vale dividir a viagem com uma parada no meio. Há ônibus entre as principais cidades, mas o carro dá liberdade para os atrativos de serra e cachoeira.

Por que ir

Quem mora em Minas às vezes esquece o tamanho do que tem em casa. O estado guarda o maior conjunto de arte barroca do Brasil, uma capital famosa pelos bares e pela comida, serras com frio de lareira, lagos com cânions e estâncias de águas quentes que já receberam imperadores.

A vantagem para quem sai de Ponte Nova e região é que quase tudo se resolve de carro. Ouro Preto e Mariana estão logo ali, Belo Horizonte fica a poucas horas e, com um pouco mais de estrada, chega-se a Tiradentes, à Serra do Cipó, a Capitólio e ao Sul de Minas.

Há roteiro para todo perfil: casal em busca de pousada charmosa, família com crianças, grupo de amigos atrás de cachoeira e trilha, ou quem só quer comer bem e descansar.

O que fazer

Belo Horizonte: Pampulha

Em volta da lagoa estão as primeiras obras de Oscar Niemeyer, dos anos 1940: a Igreja de São Francisco de Assis, com painéis de Portinari, a Casa do Baile, o antigo cassino, hoje museu de arte, e o Iate Clube, com jardins de Burle Marx. O conjunto é Patrimônio Mundial. Na mesma região ficam a Casa Kubitschek, museu gratuito, e o Mineirão, com seu museu do futebol.

Belo Horizonte: Mercado Central e Praça da Liberdade

O Mercado Central, de 1929, tem cerca de 400 lojas de queijo, doce, cachaça e de tudo um pouco. É parada obrigatória para abastecer a mala. Na Praça da Liberdade, prédios históricos viraram museus, como o das Minas e do Metal, o Memorial Minas Gerais e o Centro Cultural Banco do Brasil. Para o fim de tarde, o Mirante do Mangabeiras tem a melhor vista da cidade.

Ouro Preto: igrejas, museus e minas de ouro

A antiga Vila Rica é Patrimônio da Humanidade. A Igreja de São Francisco de Assis reúne Aleijadinho e Mestre Ataíde, e a Matriz do Pilar é uma das que mais têm ouro no país. Vale ver também a do Carmo e a do Rosário, de fachada arredondada. O Museu da Inconfidência, na Praça Tiradentes, e a Casa dos Contos explicam o ciclo do ouro. Minas de ouro antigas, como a do Chico Rei, a Jeje e a Santa Rita, recebem visitantes, e a Cachoeira das Andorinhas, nos arredores, tem poços para banho.

Mariana, Congonhas e Diamantina

Mariana, a 15 km de Ouro Preto, foi a primeira cidade e capital de Minas, com a Catedral da Sé e o Museu de Arte Sacra. Em Congonhas, a 55 km de Ouro Preto, o santuário do Bom Jesus de Matosinhos exibe os doze profetas esculpidos por Aleijadinho em pedra-sabão. Diamantina, bem mais ao norte, a 290 km de Belo Horizonte, é a terra de Chica da Silva e de Juscelino Kubitschek, com casario colonial cercado pela Serra do Espinhaço, e pede uma viagem própria.

Tiradentes e São João del-Rei

Tiradentes é pequena, pacata e muito bem cuidada, aos pés da Serra de São José. A Matriz de Santo Antônio, o Chafariz de São José, o Museu Padre Toledo e o Largo das Forras se visitam a pé. A maria-fumaça liga a cidade a São João del-Rei em cerca de meia hora, por uma ferrovia inaugurada em 1881. Lá, os sinos das igrejas ainda marcam as horas.

Santuário do Caraça

Entre Catas Altas e Santa Bárbara, um antigo colégio de padres virou complexo de turismo com igreja neogótica, museu, biblioteca de obras raras e pousada. Em volta, trilhas levam a cachoeiras como a Cascatinha, de acesso fácil, e a Cascatona. À noite, os hóspedes esperam no pátio a visita do lobo-guará, tradição que vem de 1982.

Serra do Cipó

A 100 km de BH, é o 'Jardim do Brasil', nas palavras de Burle Marx. O parque nacional tem trilhas de todos os níveis, do Circuito das Lagoas, curtinho, ao Cânion das Bandeirinhas, que exige um dia inteiro. Fora do parque, a Cachoeira Grande e a Véu da Noiva têm acesso pago e bons poços. Na estrada, a estátua do Juquinha virou cartão-postal.

Capitólio e o Lago de Furnas

O 'Mar de Minas' banha mais de 30 cidades. Em Capitólio, paredões de pedra formam cânions de água verde, vistos do alto no Mirante dos Cânions ou de dentro, em passeio de lancha. A região tem dezenas de cachoeiras, como a Lagoa Azul, a Cascatinha e as da Trilha do Sol. Escarpas do Lago é o bairro mais agitado.

Monte Verde e Gonçalves

No extremo sul, quase em São Paulo, Monte Verde fica a mais de 1.500 metros de altitude. A avenida principal tem arquitetura alpina, fondue e chocolate, e as trilhas da Pedra Redonda, Pedra Partida e Chapéu do Bispo dão vista para os dois estados. Gonçalves é mais rústica, com cachoeiras, picos acima de 2.000 metros e boa gastronomia.

Caxambu e São Lourenço

No Circuito das Águas, cada cidade tem seu Parque das Águas, com fontes minerais de propriedades diferentes, lago, balneário e jardins. O de Caxambu tem doze fontes, um balneário de 1912 e um teleférico até o alto do morro. O de São Lourenço tem nove fontes e pedalinho. As duas ficam a 23 km uma da outra.

Poços de Caldas

Cidade de águas termais a 37 graus, com arquitetura da época dos cassinos. As Thermas Antônio Carlos, de 1931, têm vitrais e banhos de imersão. Completam o passeio o Relógio Floral, a Fonte dos Amores, a cachoeira Véu das Noivas e a Serra de São Domingos, com o Cristo e a Pedra Balão no topo.

Araxá

No oeste do estado, o Complexo do Barreiro reúne termas, lago com pedalinhos, jardins de Burle Marx e um grande hotel dos anos 1940 que parece um palácio. Dá para usar as termas sem se hospedar. Na cidade, o Museu Dona Beja conta a história da personagem mais famosa de Araxá, e a rampa do Horizonte Perdido tem vista de voo livre.

Passeios e bate-voltas

Inhotim, em Brumadinho

A 65 km de Belo Horizonte, é um dos maiores museus a céu aberto do mundo. Galerias de arte contemporânea, com obras de Hélio Oiticica, Adriana Varejão, Tunga, Cildo Meireles e Yayoi Kusama, ficam espalhadas por um jardim botânico. Reserve o dia inteiro e vá com calçado confortável.

Bichinho e Resende Costa

Saindo de Tiradentes, o povoado de Bichinho, a 7 km, é polo de artesanato em madeira de demolição. Resende Costa, a 42 km, é a terra do tear, com tapetes, colchas e cortinas feitos à mão.

Alambique mais antigo do país

Em Coronel Xavier Chaves, a 20 km de Tiradentes, o Engenho Boa Vista produz cachaça desde 1755, sempre na mesma família. A visita inclui degustação e petiscos de fogão a lenha.

Lancha pelos cânions de Furnas

O passeio clássico de Capitólio dura cerca de três horas. Entra no cânion, passa por cachoeiras que caem direto no lago e para para banho na Lagoa Azul. Use colete e siga as orientações do piloto.

Serra da Canastra

A cerca de 100 km de Capitólio, o parque nacional protege a nascente do Rio São Francisco. A cachoeira Casca d'Anta, com quase 200 metros, é a primeira grande queda do rio. É também a terra do queijo Canastra.

Trem das Águas e balão em São Lourenço

A maria-fumaça percorre o vale do Rio Verde até Soledade de Minas, com parada para quitutes e artesanato. Nos fins de semana, quando o tempo ajuda, há voo de balão ao amanhecer sobre a Mantiqueira.

Vinhos e cervejas no Sul de Minas

Em Andradas, a 42 km de Poços de Caldas, vinícolas recebem para visita aos parreirais e degustação. Na própria Poços, cervejarias artesanais usam a água mineral da região e formam um roteiro de degustação.

Café especial na Mantiqueira

Fazendas da região de São Lourenço abrem as portas para mostrar a lavoura, o terreiro e a torra, com prova de cafés premiados acompanhada de quitutes.

Roteiro sugerido

Dias 1 e 2: Mariana e Ouro Preto

Saindo de Ponte Nova, comece por Mariana, com a Sé e a praça das duas igrejas. Siga para Ouro Preto e durma duas noites. Divida as visitas entre igrejas, Museu da Inconfidência, uma mina de ouro e a feirinha de pedra-sabão.

Dia 3: Santuário do Caraça

Pegue a estrada por Catas Altas até o Caraça. Faça a trilha da Cascatinha, visite a igreja e o museu e, se dormir lá, espere o lobo-guará à noite.

Dias 4 e 5: Belo Horizonte e Inhotim

Na capital, Pampulha de manhã, Mercado Central no almoço, Praça da Liberdade à tarde e boteco à noite. No dia seguinte, passe o dia inteiro no Inhotim, em Brumadinho.

Dia 6: Serra do Cipó

Bate-volta ou pernoite a 100 km de BH. Escolha uma trilha leve no parque nacional e termine na Cachoeira Grande ou na Véu da Noiva.

Dias 7 e 8: Congonhas, Tiradentes e São João del-Rei

Desça pela BR-040, pare em Congonhas para ver os profetas e siga para Tiradentes. Caminhe pelo centro, faça o trajeto de maria-fumaça até São João del-Rei e visite Bichinho antes de voltar para casa.

Outra viagem: Sul de Minas ou Capitólio

Guarde para um feriado longo. Capitólio rende três dias de lancha e cachoeiras. Monte Verde, Gonçalves e o Circuito das Águas combinam em quatro ou cinco dias de serra, frio e boa mesa.

Onde comer e o que provar

Os clássicos da cozinha mineira

Feijão tropeiro, tutu, frango com quiabo e angu, costelinha com ora-pro-nóbis, leitão à pururuca e vaca atolada. De sobremesa, doce de leite, goiabada com queijo e doce de abóbora. Na dúvida, procure fogão a lenha.

Queijo e pão de queijo

Minas responde por cerca de um quarto do queijo produzido no país. O Minas Artesanal, feito com leite cru, pingo e sal, muda de sabor conforme a região: Canastra, Serro, Araxá. Prove fresco e curado.

Belo Horizonte: comida mineira

O Dona Lucinha e o Xapuri são referências da cozinha tradicional. O Maria das Tranças faz frango ao molho pardo há mais de 70 anos. O Glouton dá um toque francês aos ingredientes do estado, em menu degustação.

Belo Horizonte: bares e Mercado Novo

A capital dos botecos tem petisco premiado em cada esquina. A Savassi e Lourdes concentram bares, e o bairro de Santa Tereza é o berço do Clube da Esquina. O Mercado Novo, revitalizado, junta cervejarias, cachaçarias e cozinhas autorais e ferve nos fins de semana.

Ouro Preto e Tiradentes

Em Ouro Preto, o Conto de Réis serve bufê mineiro em casarão do século 18. Tiradentes é polo gastronômico: a Taberna Padre Toledo faz o tradicional, o Angatu e o Uaithai inovam, e a confeitaria Mia tem cheesecake de goiabada.

Rocambole de Lagoa Dourada

A 40 km de Tiradentes, a cidade é famosa pelo rocambole recheado, principalmente de doce de leite. Parada tradicional de quem passa pela estrada.

Serras do sul: truta e fondue

Em Monte Verde, a truta criada na Mantiqueira aparece de várias formas no Paulo das Trutas, e o fondue é o jantar típico. Em Gonçalves, restaurantes como o Suá misturam ingredientes da serra com tradição mineira.

Capitólio

Peixe de água doce é a pedida. A traíra sem espinha do Restaurante do Turvo, de frente para o lago, é a mais famosa. Há também tilápia recheada com queijo Canastra.

Onde ficar

Belo Horizonte: Savassi e Lourdes

Para ficar perto dos bares, restaurantes e da Praça da Liberdade. O centro é mais econômico e próximo do Mercado Central. A Pampulha atende quem vai a jogos e shows no Mineirão.

Ouro Preto: centro histórico

Hospedar-se em casarão antigo faz parte da experiência, e tudo se resolve a pé. Prepare as pernas para as ladeiras e confira se a pousada tem estacionamento.

Tiradentes

Pousadas charmosas no centro ou a poucos minutos dele, muitas com vista para a Serra de São José. Ótima base para casais e para visitar São João del-Rei, Bichinho e arredores.

Serras e estâncias

Em Monte Verde e Gonçalves, chalés com lareira e hidromassagem. No Circuito das Águas, Poços de Caldas e Araxá, hotéis tradicionais com piscinas termais e recreação para crianças. No Caraça, dorme-se na pousada do próprio santuário, com pensão completa e reserva antecipada.

Capitólio e Serra do Cipó

Em Capitólio, escolha entre o centro, mais prático, e Escarpas do Lago, à beira d'água. Na Serra do Cipó, as pousadas ficam ao longo da rodovia, perto das cachoeiras e da entrada do parque.

A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.

Bom saber

Voltagem

Nas cidades deste guia a rede elétrica é de 110 V.

Patrimônios da Unesco

Minas tem quatro: o centro histórico de Ouro Preto, o de Diamantina, o santuário de Congonhas e o conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte.

Compras típicas

Pedra-sabão em Ouro Preto, artesanato em madeira em Bichinho, tear em Resende Costa, cristais e doces em Poços de Caldas, queijo e cachaça em todo lugar. Em BH, a Feira Hippie da Avenida Afonso Pena acontece aos domingos.

Dicas de quem entende

  • Em Ouro Preto e Tiradentes, calçado com sola de borracha é item de segurança. As pedras são lisas e as ladeiras, fortes.
  • Muitas igrejas e museus das cidades históricas fecham às segundas-feiras. Confirme antes de montar o roteiro.
  • A maria-fumaça de Tiradentes e o Trem das Águas não circulam todos os dias. Verifique o calendário e compre com antecedência em feriados.
  • O Inhotim é enorme. Chegue na abertura, estude o mapa e considere o transporte interno para os trechos longos.
  • Em Capitólio e na Serra do Cipó, evite cachoeiras e cânions em dia de chuva forte, mesmo que ela esteja caindo longe. Respeite os avisos dos guias.
  • Várias cachoeiras ficam em propriedades particulares e cobram entrada. Leve dinheiro em espécie, o sinal de celular nem sempre ajuda.
  • Para o Caraça, reserve a hospedagem com boa antecedência e leve agasalho. A noite na serra é fria o ano todo.
  • No Mercado Central de BH, peça para embalar queijos e doces para viagem. Queijo curado aguenta melhor a estrada.
  • Monte Verde e Gonçalves pedem roupa de frio de verdade no inverno. As temperaturas chegam perto de zero.
  • Nas estradas de serra, prefira viajar de dia. Neblina e curvas pedem atenção redobrada.

Veja também

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