Por que ir
No sul do estado do Rio, a Serra do Mar chega quase a tocar o oceano. O resultado é um litoral recortado, coberto de mata, com centenas de ilhas e uma vida marinha farta. Esse trecho é a Costa Verde.
Angra dos Reis é o ponto de partida para os passeios de barco pela baía, que tem mais de 300 ilhas. A maior delas, a Ilha Grande, é um destino à parte, sem carros e com praias que se alcançam por trilha ou lancha. A 100 km dali, Paraty soma praias, cachoeiras e alambiques a um centro histórico do século 18 muito bem conservado.
A região agrada quem gosta de mar calmo, natureza e boa mesa. Funciona bem para casais e famílias, e os mais aventureiros encontram trilhas de sobra.
O que fazer
Angra dos Reis: ilhas da baía
O melhor de Angra está no mar. As Ilhas Botinas são dois rochedos cercados de água azul muito clara. A pequena Ilha de Cataguás tem banho tranquilo. Tudo isso se visita em passeios de lancha ou escuna que saem do centro da cidade.
Angra dos Reis: Ilha da Gipoia
Segunda maior ilha da baía. A Praia do Dentista é a mais badalada, com areia branca e barcos ancorados em frente. Flechas tem restaurantes para o almoço, e a Praia da Piedade guarda uma igrejinha à beira d'água.
Angra dos Reis: centro histórico
Entre as lojas do centro sobrevivem construções coloniais, como a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Igreja de Santa Luzia. A Igreja de Nossa Senhora da Lapa e da Boa Morte abriga um museu de arte sacra importante, e o Convento do Carmo é conhecido pelo presépio de fim de ano.
Ilha Grande: Vila do Abraão
É a 'capital' da ilha, com o Pico do Papagaio ao fundo. Ali ficam a maioria das pousadas, restaurantes e o cais de onde saem barcos e trilhas. O banho na vila em si não é dos melhores por causa das embarcações, mas em poucos minutos de caminhada se chega às praias da Júlia, Comprida, Crena e Abraãozinho.
Ilha Grande: Lagoa Azul e praias do lado do continente
Voltadas para a baía, têm mar calmo e esverdeado. A Lagoa Azul é o ponto clássico de snorkel, com peixes por todo lado. O Saco do Céu é uma enseada muito abrigada, e a Freguesia de Santana tem uma igrejinha bucólica.
Ilha Grande: Lopes Mendes e o lado oceânico
Do lado de fora da ilha o mar é mais forte e as praias, longas e selvagens. Lopes Mendes e Aventureiro são as mais famosas. A exceção é a pequena Cachadaço, com apenas 50 metros de areia protegida por dois costões.
Paraty: Centro Histórico
Depois do ciclo do ouro, Paraty ficou quase isolada até a abertura da Rio-Santos, nos anos 1970. Por isso o casario colonial chegou intacto aos dias de hoje. As ruas de pedra irregular são fechadas para carros e reúnem pousadas, ateliês, restaurantes e lojas. A Casa da Cultura, em um casarão de 1754, expõe artistas da cidade.
Paraty: igrejas
A Igreja de Santa Rita, de frente para o cais e com a serra ao fundo, é a imagem mais conhecida da cidade. A Matriz de Nossa Senhora dos Remédios chama atenção pelas torres inacabadas. A do Rosário era frequentada pelos escravizados e tem altares dourados, e a de Nossa Senhora das Dores fica junto à foz do Rio Perequê-Açu.
Paraty: alambiques de cachaça
A cidade produz cachaça desde o século 17. Vários alambiques ao longo da Rio-Santos e da estrada para Cunha recebem visitantes, entre eles Coqueiro, Engenho d'Ouro, Paratiana, Pedra Branca e Maria Izabel. No centro, lojas especializadas vendem os rótulos locais.
Paraty: Trindade e as piscinas do Cachadaço
A vila de Trindade fica a 24 km do centro e tem pousadas e restaurantes próprios. As praias do Meio e do Cachadaço estão dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Do fim da Praia do Cachadaço, uma trilha de uns 20 minutos leva às piscinas naturais formadas entre as pedras.
Paraty: Saco do Mamanguá
Um braço de mar de 8 km de comprimento entre paredões cobertos de mata, conhecido como o fiorde brasileiro. Tem praias pequenas, vilas caiçaras e um manguezal preservado no fundo. Chega-se de barco ou por trilha a partir de Paraty-Mirim.
Paraty: Praia do Sono e Praia Grande
A Praia do Sono é uma vila de pescadores alcançada por trilha ou barco a partir do condomínio Laranjeiras, com as desertas Antigos e Antiguinhos logo adiante. Ao norte do centro, a Praia Grande fica em frente à Ilha do Araújo e dá acesso à Prainha, de areia avermelhada.
Passeios e bate-voltas
Lancha ou escuna pelas ilhas de Angra
Os roteiros de cinco a seis horas saem da Estação Santa Luzia, no centro. Um deles combina Cataguás, praias da Ilha Grande e Lagoa Azul. Outro foca nas Ilhas Botinas e na Gipoia. O almoço costuma ser em restaurante de praia, pago à parte.
Bate-volta à Ilha Grande
Quem está hospedado em Angra pode atravessar cedo até a Vila do Abraão, caminhar até praias próximas como Júlia e Abraãozinho e almoçar de frente para o mar antes de voltar.
Escuna pela baía de Paraty
O passeio mais tradicional da cidade. O barco sai do cais pela manhã e visita duas praias e duas ilhas, com paradas para nadar e ver peixes e, com sorte, tartarugas.
Traineira privativa em Paraty
Fechar um barco de pescador para o seu grupo dá liberdade para escolher as paradas e o restaurante do almoço. Vale a pena para famílias e grupos de amigos.
Passeio de jipe às cachoeiras
Do outro lado da Rio-Santos, em meio à mata, o roteiro em 4x4 passa pelas cachoeiras da Pedra Branca e do Tobogã, pelo Poço do Tarzan, por um trecho do Caminho do Ouro e por um alambique.
Lancha ao Saco do Mamanguá
Passeio de cerca de cinco horas com paradas em praias do fiorde e almoço opcional. Por causa da velocidade da lancha, costuma haver idade mínima para crianças.
Caminhada guiada pelo Centro Histórico
No fim da tarde ou à noite, um guia conta a história de Paraty entre igrejas, casarões e ateliês. Algumas versões terminam com o Jorge Amado, drinque local de cachaça com maracujá e limão.
Cavalgada
Passeio a cavalo de umas três horas por trilhas na Mata Atlântica, com parada em um riacho. Leve chapéu, há trechos de sol aberto.
Roteiro sugerido
Chegada a Angra dos Reis. Embarque em um passeio de lancha por Cataguás, praias da Ilha Grande e Lagoa Azul, terminando na Praia de Flechas, na Gipoia.
Ilhas Botinas pela manhã e tarde na Gipoia, entre a Praia do Dentista e a Piedade.
Atravesse cedo para a Vila do Abraão, na Ilha Grande. Faça a trilha leve até Júlia e Abraãozinho e almoce de frente para o mar. Se puder, durma uma noite na ilha.
Estrada até Paraty, a cerca de 100 km. Deixe as malas e caminhe pelo Centro Histórico no fim da tarde, quando as ruas ficam mais animadas.
Dia em Trindade: Praia do Meio, Cachadaço e as piscinas naturais. Almoço na vila.
Passeio de jipe pelas cachoeiras e alambiques ou lancha pelo Saco do Mamanguá. À noite, prove um Jorge Amado no centro.
Onde comer e o que provar
Cozinha caiçara
Peixe fresco, banana-da-terra, farinha e frutos do mar são a base. Em Paraty, o prato típico é o camarão casadinho: dois camarões grandes unidos e recheados com farofa.
Centro Histórico de Paraty
O Banana da Terra, da chef Ana Bueno, é referência em cozinha caiçara. O Refúgio fica de frente para o cais, o Margarida Café tem música ao vivo e o Thai Brasil serve comida tailandesa das mais elogiadas do país. Para um café, o Montañita mói os grãos na hora.
Fora do centro, em Paraty
A Fazenda Bananal é programa de meio dia para a família, com horta, casarão de 1846 e almoço feito com o que se colhe ali. Na estrada para Cunha, o Bistrô Alquimia dos Sabores usa banana e cachaça em receitas criativas.
Praias de Paraty
O Quiosque Lapinha, na Praia do Pontal, é o lugar da cerveja gelada com frutos do mar. Na Praia Grande, o Quiosque São Francisco tem mar calmo em frente, bom para ir com crianças. Em Trindade, o Siri e Cia serve uma moqueca farta.
Angra dos Reis
O Samburá é tradicional pela casquinha de siri e pela moqueca de camarão. O Bar do Chuveiro, de 1983, faz fama com o pastel de camarão.
Ilha Grande
Na Vila do Abraão, o Lua e Mar tem mesas na areia, à sombra de uma amendoeira, e serve moquecas e bobó de camarão.
Onde ficar
Angra dos Reis: orla continental
Os hotéis e resorts pé na areia ficam ao longo da Rio-Santos, alguns em praias quase privativas. É a escolha de quem quer estrutura completa, piscina e sossego, saindo de barco para os passeios.
Ilha Grande: Vila do Abraão
Pousadas simples e charmosas, tudo a pé, clima descontraído. Para quem gosta de trilha, praia e noite tranquila. Não circulam carros na ilha.
Paraty: Centro Histórico e arredores
Ficar dentro ou ao lado do centro permite fazer tudo caminhando, inclusive voltar do jantar a pé. As pousadas ocupam casarões antigos. Leve mala fácil de carregar, o calçamento é irregular.
Paraty: Jabaquara e região das cachoeiras
A Praia de Jabaquara, a poucos quilômetros do centro, tem pousadas perto do mar e clima familiar. Do outro lado da rodovia, perto dos alambiques, há hospedagens maiores com piscinas.
Trindade
Vila pequena e rústica, para quem quer acordar ao lado das praias mais bonitas de Paraty e não se importa com menos estrutura.
A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.
Bom saber
Voltagem
A rede elétrica na região é de 110 V.
Eventos em Paraty
O calendário é cheio: festival de jazz e blues em abril, Festa do Divino em maio, a festa literária Flip geralmente em julho e o Festival da Cachaça em agosto.
Distâncias
Angra e Paraty ficam a 100 km uma da outra pela Rio-Santos, cerca de 1h40 de viagem. Há ônibus regulares entre as duas.
Dicas de quem entende
- Em Paraty, use calçado fechado e sem salto. As pedras do Centro Histórico são irregulares e escorregam quando molhadas.
- Na lua cheia e na lua nova, a maré invade algumas ruas do centro de Paraty. É bonito de ver, mas pede atenção por onde pisa.
- Carros não entram na Ilha Grande. Quem vai dirigindo deixa o veículo em estacionamento em Angra, Mangaratiba ou Conceição de Jacareí.
- A travessia mais curta para a Ilha Grande sai de Conceição de Jacareí. De Angra e Mangaratiba há barcas mais baratas, com menos horários.
- No verão chove forte, quase sempre no fim da tarde. Programe barco e trilha para a manhã.
- Leve repelente. Nas praias cercadas de mata e nas cachoeiras, os borrachudos aparecem.
- Em Trindade e nas vilas menores, o sinal de celular e os caixas eletrônicos são limitados. Tenha dinheiro em espécie.
- Durante a Flip e outros festivais, Paraty esgota. Reserve com meses de antecedência ou escolha outra data se quiser tranquilidade.
- No centro de Paraty há estacionamentos públicos nas pontas do bairro histórico. Nas ruas próximas a vaga é rotativa e paga.