Por que ir
Salvador foi a primeira capital do Brasil e guarda o maior conjunto de arquitetura colonial do país. A cidade se divide em dois andares: a Cidade Alta, onde fica o Pelourinho, e a Cidade Baixa, à beira da Baía de Todos os Santos, ligadas por ladeiras, planos inclinados e pelo Elevador Lacerda.
Para aproveitar a viagem ajuda entender o sincretismo. O catolicismo dos portugueses se misturou às religiões de matriz africana, e essa mistura aparece nas festas, na música, na comida feita com dendê e nas fitinhas do Bonfim amarradas no pulso.
É um destino para quem gosta de cultura tanto quanto de praia. Funciona bem para casais, famílias e grupos, e combina com esticadas ao litoral norte, a Morro de São Paulo ou à Chapada Diamantina.
O que fazer
Pelourinho
O coração do Centro Histórico, reconhecido pela Unesco como patrimônio mundial. O casario colorido abriga restaurantes, lojas, ateliês e a Fundação Casa de Jorge Amado. Às terças à noite as ruas ficam mais animadas, com música e a tradicional bênção. No Terreiro de Jesus, as baianas vestidas a caráter posam para fotos em troca de uma gorjeta.
Igreja e Convento de São Francisco
A igreja barroca mais impressionante da cidade, com o interior coberto de talha dourada e painéis de azulejos portugueses. Ao lado, a Igreja da Ordem Terceira tem uma fachada de pedra toda esculpida. Perto dali fica a Catedral Basílica, herdeira da primeira capela dos jesuítas.
Igreja do Rosário dos Pretos
Erguida no século 17 por escravizados e libertos, que não podiam frequentar as igrejas dos senhores. Nas noites de terça a missa incorpora atabaques e cantos de origem africana, uma das expressões mais fortes do sincretismo baiano.
Elevador Lacerda e Mercado Modelo
Inaugurado em 1873, o elevador liga a Cidade Alta à Cidade Baixa por uma tarifa simbólica. A vista do mirante de cima, na Praça Tomé de Souza, é linda no fim da tarde. Embaixo fica o Mercado Modelo, com centenas de lojas de artesanato, rodas de capoeira e restaurantes de comida baiana, de frente para o Forte de São Marcelo.
Igreja do Senhor do Bonfim
A basílica do século 18 é o símbolo da fé baiana. Senhor do Bonfim é associado a Oxalá no candomblé. As fitinhas coloridas amarradas nas grades e nos pulsos têm 47 centímetros, a medida do braço da imagem que está no altar.
Santuário e Memorial de Santa Dulce
Irmã Dulce, nascida em Salvador em 1914 e canonizada em 2019, é a primeira santa brasileira. O memorial reúne objetos pessoais, como o hábito e a cadeira em que ela dormiu por décadas para cumprir uma promessa. O túmulo fica no santuário ao lado, no bairro do Bonfim.
Farol da Barra e Porto da Barra
O Forte de Santo Antônio da Barra sustenta o farol e abriga o Museu Náutico. De um lado fica a praia do Farol, com calçadão e bares. Do outro, a enseada do Porto da Barra, de mar calmo e morno, uma das praias urbanas mais queridas do país e ponto clássico para o pôr do sol.
Fortes de Santa Maria e São Diogo
Os dois pequenos fortes do Porto da Barra viraram espaços culturais. Um é dedicado à fotografia, com destaque para Pierre Verger. O outro mostra a obra do artista Carybé em projeções. À noite as fachadas também recebem projeções.
Casa do Carnaval e Casa do Olodum
A Casa do Carnaval é um museu interativo sobre a festa, com figurinos, vídeos e até aula de coreografia. A poucos passos, a sede do Olodum mostra o trabalho do bloco afro, que também é projeto social. Antes do Carnaval há ensaios abertos.
Rio Vermelho
O bairro boêmio da cidade. Reúne a Casa de Iemanjá, a colônia de pescadores, o memorial na casa onde viveram Jorge Amado e Zélia Gattai, o Mercado do Rio Vermelho, conhecido como Ceasinha, e a Praia do Buracão. À noite os bares e os tabuleiros de acarajé lotam.
Itapuã, Stella Maris e Flamengo
As praias mais distantes do Centro, perto do aeroporto, têm areia larga, coqueiros e barracas com boa estrutura. Itapuã guarda a casa onde morou Vinicius de Moraes, hoje memorial, e um farol. Flamengo tem ondas para surfe e Stella Maris é muito procurada por famílias.
Santo Antônio Além do Carmo
Continuação do Pelourinho, com clima de cidade do interior. As ruas de casas antigas têm cafés, ateliês e restaurantes com vista para a baía. É um bom lugar para o fim de tarde.
Passeios e bate-voltas
Praia do Forte e Guarajuba
No litoral norte, a cerca de 85 km. Guarajuba é tranquila, com mar calmo. A Praia do Forte tem vila charmosa, piscinas naturais e a base do Projeto Tamar, de proteção às tartarugas marinhas. Passeio de dia inteiro.
Ilha dos Frades
A Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe tem mar calmo e o selo internacional Bandeira Azul de qualidade ambiental. Chega-se de escuna, em passeio de dia inteiro pela baía, ou de lancha rápida.
Tour histórico pela Cidade Alta
Meio dia com guia passando pelo Farol da Barra, Pelourinho, Igreja de São Francisco, Terreiro de Jesus e terminando no Comércio, com o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda. É o melhor começo de viagem.
Caminho da fé
Roteiro pela península de Itapagipe: Santuário de Santa Dulce, Basílica do Bonfim e a igrejinha da Ponta de Humaitá, com vista aberta para a baía. Também pode ser feito de bicicleta, saindo da orla da Ribeira.
Sabores da Bahia
Visita à Feira de São Joaquim, a maior da cidade, com bancas de temperos, ervas e pimentas, seguida de degustações pelo Pelourinho. O Museu da Gastronomia Baiana e o restaurante-escola ao lado completam o programa.
Atividades no Porto da Barra
O mar calmo da enseada permite stand up paddle, canoa havaiana pela Baía de Todos os Santos e mergulho de batismo entre corais, sempre com instrutor.
Morro de São Paulo
A ilha fica a algumas horas de catamarã ou de travessia combinada com estrada. Dá para ir e voltar no mesmo dia, mas o ideal é ficar pelo menos duas noites.
Roteiro sugerido
Tour histórico: Farol da Barra, Pelourinho, Igreja de São Francisco, Terreiro de Jesus, Elevador Lacerda e Mercado Modelo. Fim de tarde em Santo Antônio Além do Carmo, com vista para a baía.
Manhã de praia no Porto da Barra, com visita aos fortes e ao Museu Náutico. Fique para o pôr do sol e jante no Rio Vermelho, começando por um acarajé.
Caminho da fé pela Cidade Baixa: Santuário de Santa Dulce, Igreja do Bonfim e Ponta de Humaitá. À tarde, Casa do Carnaval e Casa do Olodum no Pelourinho. Se for terça, fique para a noite.
Dia inteiro na Praia do Forte e em Guarajuba, com visita ao Projeto Tamar e banho nas piscinas naturais.
Feira de São Joaquim pela manhã e almoço no restaurante-escola do Pelourinho. Tarde nas praias de Itapuã ou Flamengo, com parada na casa de Vinicius de Moraes.
Passeio de barco à Ilha dos Frades ou dia livre para compras no Mercado Modelo e últimos mergulhos.
Onde comer e o que provar
Acarajé e abará
O bolinho de feijão-fradinho frito no dendê, recheado com vatapá, camarão seco e salada, é obrigatório. Quente significa com pimenta. O abará é a versão cozida, embrulhada em folha de bananeira. O acarajé da Cira, em Itapuã e no Rio Vermelho, é dos mais famosos.
Moqueca baiana
Leva dendê e leite de coco, e pode ser de peixe, camarão, polvo, arraia e até ovo. O restaurante Yemanjá, na orla, é referência. No Mercado Modelo, Maria de São Pedro e Camafeu de Oxóssi são casas tradicionais.
Restaurante-escola do Senac
No Largo do Pelourinho, serve um bufê com dezenas de pratos típicos, como vatapá, caruru, xinxim de galinha e feijoada baiana. É o jeito mais fácil de provar tudo de uma vez.
Caruru, vatapá, bobó e xinxim
Os clássicos da cozinha de dendê. O caruru é feito de quiabo, o vatapá é um creme de pão e amendoim, o bobó leva mandioca e camarão e o xinxim é um ensopado de galinha com castanha.
Rio Vermelho e Vila Caramuru
O antigo mercado de peixe virou polo gastronômico, com restaurantes de comida baiana e bares. No mesmo bairro, a Casa de Teresa faz cozinha baiana mais elaborada e o Boteco do França é ponto de encontro boêmio.
Santo Antônio Além do Carmo
Restaurantes e bares com vista para a baía, como o Pysco e o conjunto da Vila Baluarte. Bom para almoço tardio ou jantar depois do Pelourinho.
Restaurante da Preta
Na Ilha dos Frades, pé na areia, com decoração colorida, moquecas e peixe assado inteiro. Costuma ser a parada de almoço de quem visita a ilha.
Doces e sorvetes
Prove cocada, quindim, bolinho de estudante e mungunzá nos tabuleiros. No Pelourinho, a sorveteria A Cubana e as cachaças com cravo do bar O Cravinho são paradas tradicionais.
Onde ficar
Barra
A base mais prática: praia de mar calmo, calçadão, restaurantes, fortes e pôr do sol na porta. Fica a meio caminho entre o Centro Histórico e o Rio Vermelho.
Rio Vermelho e Ondina
Para quem prioriza gastronomia e vida noturna. Ondina tem hotéis de frente para o mar e piscinas naturais. O Rio Vermelho concentra bares e restaurantes.
Centro Histórico e Santo Antônio
Para mergulhar na parte cultural, com hotéis em prédios históricos e pousadas de charme. Não tem praia, e à noite o melhor é circular de táxi ou aplicativo.
Itapuã e Stella Maris
Praias amplas, resorts e hotéis pé na areia, perto do aeroporto. Boa escolha para família que quer descanso, sabendo que o Pelourinho fica a mais de 20 km.
Pituba e Jardim de Alah
Bairros residenciais na orla, com comércio, pista de caminhada e diárias mais em conta. Posição intermediária entre o Centro e as praias do norte.
A escolha do hotel depende das datas e do seu perfil: a nossa equipe indica as melhores opções em cada região.
Bom saber
Documentos
Documento oficial com foto (RG ou CNH). Não há exigência de vacina.
Voltagem
127 V, a popular 110.
Festas populares
O calendário inclui Santa Bárbara e Conceição da Praia no início de dezembro, a Lavagem do Bonfim em janeiro, a Festa de Iemanjá em 2 de fevereiro e o Carnaval. Nesses dias há ruas fechadas e muita gente.
Dicas de quem entende
- As terças-feiras são o dia mais animado do Pelourinho, com a missa do Rosário dos Pretos e música nas ruas. Se puder, inclua uma terça no roteiro.
- No Centro Histórico, ande pelas ruas principais e movimentadas, leve só o necessário e use táxi ou aplicativo à noite.
- Baianas de acarajé e moças vestidas a caráter cobram pela foto. Combine o valor antes.
- Fitinhas e colares oferecidos como presente na rua quase sempre terminam em pedido de dinheiro. Recuse com educação se não quiser.
- O trânsito entre a orla norte e o Centro é pesado. Agrupe os passeios por região para não perder tempo.
- Ao pedir acarajé, quente quer dizer com pimenta, e a pimenta baiana é forte. Peça frio se não estiver acostumado.
- O dendê pesa para quem não tem costume. Vá com calma nos primeiros dias e alterne com pratos grelhados.
- Igrejas pedem roupa discreta, e algumas cobram ingresso e fecham no horário do almoço.
- Para o Carnaval e a Lavagem do Bonfim, reserve com muita antecedência. Os hotéis lotam e os preços sobem.
- O pôr do sol na baía é programa diário. Os melhores pontos são o Porto da Barra, a Ponta de Humaitá e os mirantes do Centro.